Mestre do Pífano, Sebastião Biano, realiza show comemorativo neste final de semana

Alagoano radicalizado em Pernambuco celebrou 100 anos de idade no último dia 23 de junho.

Sebastião Biano foi um dos homenageados do São João de Caruaru de 2019 Sebastião Biano foi um dos homenageados do São João de Caruaru de 2019  - Foto: Georgia Branco/ Divulgação

“A homenagem foi um grande reconhecimento do meu trabalho. Saí de São Paulo para comemorar meu aniversário em Caruaru em pleno São João. E ainda tive a missão de animar aquele povo. Vi de perto a essência do pífano com a chegada de novos grupos”, foi assim que Sebastião Biano, conhecido como Mestre do Pífano, falou sobre a sensação de ser um dos homenageados São João de Caruaru 2019. O único integrante vivo da Banda de Pífanos de Caruaru continua celebrando os seus 100 anos, completados no dia 23 de junho. Com show comemorativo, Seu Biano volta aos palcos neste fim de semana, no Sesc Pompeia, em São Paulo, cidade onde o músico reside.

Natural de Mata Grande, sertão alagoano, Sebastião começou sua carreira cedo, através de influência paterna. Nos primeiros segundos da entrevista à Folha de Pernambuco, o mestre fez questão de relembrar o primeiro contato com instrumento de sopro: “Aprendi a tocar pífano aos 5 anos de idade. Meu pai, Manoel, viu a vontade da gente em aprender. Não tínhamos muito o que fazer no sertão". 

 

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No início da sua infância, chegou a Pernambuco. Caruaru, Serra Talhada e Triunfo participaram da trajetória de moradia de Biano com seus familiares pelo Nordeste. “Meu pai rodou a região atrás de emprego. Íamos todos da família em busca do pão de cada dia. Passamos 1 ou 2 anos em cada cidade”, conta, ao ser questionado sobre sua chegada ao Estado, onde viveu boa parte de sua vida. Dessa forma, a banda Pífanos de Caruaru, formada pela família Biano, começou a trilhar o caminho na música.

Migrando de cidade a cidade, o mestre do pífano teve histórias marcantes em seus 100 anos de vida: o contato com Virgulino Ferreira, conhecido como Lampião. Durante a conversa, Seu Biano explicou a sensação de presenciar a chegada dos cangaceiros em uma novena que participava. “Avistei uns 'cabra' valente chegando até a novena que aconteceu em uma fazenda localizada no interior de Pernambuco, próximo a Garanhuns. Corri para meu pai e pensei em me esconder. Só tinha 7 anos de idade. Era um menino. As pernas tremiam quando Lampião chegou na igrejinha pedindo que tocasse o pife”, rememora.

Um dos três discos gravados, "No século XXI No Pátio Do Forró", garantiu a premiação no Grammy Latino de 2004, na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras. A banda garantiu o sucesso da música “Pipoca Moderna”, regravada por Gilberto Gil e Caetano Veloso. O nome da canção, inclusive, chegou a titular o documentário produzido por Helder Lopes, que conta a trajetória do músico. “Gil era um amigo da música. Foi assim que levei o pífano para uma apresentação no planalto em Brasília na época que Gil era Ministro da Cultura e Lula era Presidente”, explica Biano, que, à época, em 2006, ganhou a Ordem do Mérito Cultural (OMC).

Com seu vasto repertório musical e pessoal, o alagoano segue atuando na música nordestina, agora com o álbum “Sebastião Biano e seu terno esquenta muié”, lançado em 2015. Ao todo, são 18 faixas de composições autorais, incluindo, aliás, com parceria de Naná Vasconcelos. “Com o dom que Deus me deu, a música vem prontinha no meu ouvido. Entre um som e outro, os barulhos da natureza me ajudam com a criatividade. Uma música puxa a outra”, sentencia.


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