Músicas: um ano além do pop e do sertanejo feminino

Anitta foi um dos nomes do cenário musical mais falados neste ano. Porém, outros artistas se destacaram e mostraram que 2017 também foi deles.

Lorde, SZA, Rincon Sapiencia e Kendrick Lamar estão entre os autores dos melhores discosLorde, SZA, Rincon Sapiencia e Kendrick Lamar estão entre os autores dos melhores discos - Foto: Divulgação

O ano foi de grandes músicas. Anitta chegou para abalar com seu projeto "Check Mate", se lançando na carreira internacional com os singles "Paradinha", "Sua Cara" e "Vai Malandra". Pabllo Vittar pegou carona na fama, explodindo com "K.O." e "Corpo Sensual"; e Gretchen voltou com tudo apontando também para o internacionalismo, participando do clipe de "Swish Swish", de Katy Perry.

No sertanejo, o "feminejo" tomou as rédeas com Marília Mendonça, Maiara & Maraisa e Naiara Azevedo. No cenário latino, "Despacito", de Luis Fonsi e Daddy Yankee, pode ser considerado um dos grandes hits do ano, sendo o único clipe a atingir a marca dos 4 milhões de views no YouTube. 

Pois bem, em um ano de singles, eis que escolhemos o Top 5 (ou melhor, 6) álbuns do ano, com sucessos que criaram uma narrativa para os CDs, indo além de músicas individuais e singles.


"DAMN" - Kendrick Lamar
Depois de brincar com o jazz em trabalhos anteriores, Kendrick Lamar lançou, neste ano, um álbum mais cru e direto que o anterior 9 ("To pimp a butterfly", de 2015). Trabalhado no conceito minimista, "DAMN" é amparado por batidas simples que rimam sobre as complexidades, convicções e contradições do cantor.


"Ctrl" - SZA
O rock, em mistura com o hip-hop, R&B e soul se fazem presentes no primeiro disco da cantora SZA, famosa após participar de "ANTI", de Rihanna. Doloroso e romântico na mesma proporção, Ctrl atravessa o soul/rock psicodélico dos anos 1970, mergulha no R&B dos anos 1990 e cresce como uma obra marcada pela completa versatilidade.


"Melodrama" - Lorde
Depois de seu primeiro trabalho, "Pure Heroine", ter sido um sucesso, Lorde volta em "Melodrama" mais madura e pronta para falar, de forma profunda, sobre a juventude, confirmando a maturidade e contínua transformação da cantora e compositora neo-zelandesa. A cantora conquista, mais uma vez, pelos seus vocais roucos e a batida "enfeitiçada" das músicas.


"Espiral de Ilusão" - Criolo
O samba sempre fez parte da obra de Criolo e se faz ainda mais presente em "Espiral de Ilusão", último disco do cantor. Com a imagem de capa do disco e o cuidado na composição dos arranjos, Criolo incorpora com originalidade e reverência diferentes aspectos do gênero, em um álbum que busca por novas sonoridades e temas urbanos.


"Galanga Libre" - Rincon Sapiência
O antecipado primeiro disco do rapper paulistano traz uma mistura de hip hop, funk, R&B e soul, em letras que falam de racismo, de pobreza e libertação. O empoderamento do povo negro é o grande fio condutor de "Galanga Libre", que já em seu nome leva a referência no conto "Ambrósio", que narra história de Galanga, escravo responsável pelo assassinato de um senhor de engenho.


"Esú" - Baco Exu do Blues
"Esú" é uma narrativa contada por Baco, que se faz personagem do próprio disco. É deus, é homem, é entidade, enquanto narra seus caminhos desde quando era um rapper desconhecido, passando por sua depressão pós-fama e finalizando com a mensagem de amor próprio por parte da população negra. O disco vem com a mesma finalidade da entidade Exú: abrir caminhos.

 

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