Nina Beck entoa seus desencantos no disco 'Acrílico'

Após as cores dos últimos álbuns, cantora busca um caminho mais minimalista, atenta ao que é essencial

'Acrílico', de Nina Becker'Acrílico', de Nina Becker - Foto: Divulgação

A trajetória musical de Nina Becker vem descolorindo. E isso pode significar maturidade. Designer e ex-diretora de arte em cinema e publicidade, ela diz que pensa em seus projetos primeiramente como imagens, para depois criar os sons.

A carioca era mais conhecida como uma das vocalistas da festiva Orquestra Imperial quando estreou em carreira solo, em 2010, já com dois CDs: "Azul" e "Vermelho". Assume que ainda tateava em busca de um caminho.

Quatro anos depois, gravou em "Minha Dolores" 13 canções que Dolores Duran (1930-1959) compôs e/ou interpretava. "Foi quando eu comecei a realmente me ver como cantora. Antes, eu ficava repetindo: 'Não sou cantora'", diz. O projeto gráfico era em sépia, ilustrado com fotos da avó de Nina.



Já o novos disco ganhou o título "Acrílico" antes mesmo de ser gravado. A alusão a um material transparente vem acompanhada de elementos em preto e branco, como os figurinos da cantora.

"Nos últimos anos, tenho tentado reduzir as coisas ao essencial. Fui para uma casa menor, com uma infraestrutura menor, me desfiz de coisas e comecei a ter vontade de me vestir de preto. Fiquei parecendo a mulher do 'Paterson', o filme do Jim Jarmusch", conta ela, 43 anos e mãe de uma filha de cinco.

"Trabalhando em cinema, aprendi que cor é deslumbramento. Não há espaço para isso no Brasil de hoje. O momento é de luto." Nina se refere ao que vem ocorrendo na política nacional desde o ano passado - quando se iniciou a produção do CD - e aos protestos recentes contra exposições.

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Não há manifestos entre as 12 faixas. O amor é o tema predominante. Mas as letras podem ter um verso mais explícito (caso de "Os burros batem as panelas", na música "Despertador") ou apresentarem outras desilusões sob a amorosa.

É o que acontece na faixa final, "Aperta a Minha Mão", letra de Nina para melodia de Thalma de Freitas, sua colega de Orquestra Imperial. A narradora decreta "estado de tristeza" e vê a alegria "se convertendo/ nessa grande agonia/ que desavisadamente/ aconteceu". "Tentei fazer uma letra feliz, mas avisei a Thalma que não estava conseguindo", diz.

Embora termine amargo, com a voz da cantora discretamente acompanhada por piano e contrabaixo, o álbum não é soturno. Começa com o tema "Acrílico", em que se superpõem duas melodias, compostas e tocadas pela banda que está em todo o disco: Nina, Rafael Vernet (piano), Pedro Sá (guitarra), Alberto Continentino (contrabaixo) e Tutty Moreno (bateria).

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A bossa nova e o samba-jazz estão no DNA do projeto. Nina o concebeu depois de receber a encomenda para uma trilha - para lançamento de um produto - inspirada no Rio de Janeiro do final dos anos 1950.

Entre os parceiros estão amigos de longa data, do Rio e de São Paulo, como Kassin, Moreno Veloso, Romulo Fróes, Negro Leo, Jonas Sá, Rubinho Jacobina, Natércia Pontes e Laura Erber.
"Não somos uma turma, muito menos um movimento. Somos uma teia", diz.

Serviço:
"Acrílico", de Nina Becker
Gravadora: YBmusic / Natura Musical
Preço médio: R$ 20

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