Nutrição na Síndrome de Down

Alimentação saudável garante que crianças com a trissomia do cromossomo 21 se desenvolvam e ganhem ainda mais independência

Frutas e legumes são prioridade no cardápio de FernandinhoFrutas e legumes são prioridade no cardápio de Fernandinho - Foto: Alfeu Tavares

 

Fernandinho tem pouco mais de um ano e já terá um acompanhamento nutricional importante ao seu crescimento. A mãe, Maria Cláudia Albuquerque, sabe que a investida deve ser maior em frutas, verduras, hortaliças, peixes e itens que reforcem seu sistema imunológico. Tudo para ele continuar com o sorrisão de sempre, disposto e saudável como qualquer outra criança da sua idade. Aliás, sua única diferença dos demais passa pelo fato de que ele nasceu com uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo extra, que caracteriza a chamada Síndrome de Down.
Eis o motivo para os cuidados alimentares começarem cedo, logo após o período de amamentação, com a finalidade principal de prevenir problemas de saúde que podem aparecer mais adiante. “Sempre pesquisei sobre o assunto e me inteirei de questões importantes, como evitar macaxeira, alimentos que contenham glúten e até leite da vaca, porque eles podem não fazer bem ao processo digestivo dele”, justifica a mãe de Fernandinho.

Para a coach em nutrição Liliane Peritore, a razão está na dificuldade de o organismo absorver os nutrientes desses alimentos e isso, muitas vezes, causa problemas intestinais. “Essa já é uma das características da Síndrome de Down que merece ser acompanhada com medicina preventiva”, garante a especialista ao alertar pa­ra tendências como problemas na tireoide, envelhecimento precoce e intolerâncias à glúten e à lactose.

A orientação é identificar as carências iniciais para saber, inclusive, se há necessidade de recorrer à suplementação de vitaminas. “Isso vem acompanhado por estímulos como habituar a criança a educar a língua com exercícios e ser independente no simples ato de comer”, explica.

Peritore também sugere incrementar o cardápio com alimentos crus como alface, tomate e repolho. Isso sem falar em molhos com ação anti-inflamatória garantida pelo uso de temperos como cúrcuma, pimenta-do-rei­no, orégano e até raspas da casca do limão. “A função é desinflamar, como se vê atravês de um abdômen avantajado. Além do mais, é bom excluir itens com muito amido, a exemplo do arroz”, destaca.

E numa fase tão importante para a formação do corpo, como no início da vida, nada melhor do que adotar hábitos que podem ser seguidos ao longo dos anos. Significa fazer as três refeições principais do dia e inserir lanches saudáveis nos intervalos, através de um plano alimentar eficiente, como defende a também nutricionista Geruza Santana. “A família tem que mudar a cozinha e torná-la anti-inflamatória, pois dela sairá o remédio ou o veneno desses pacientes. Eu sempre falo que a cozinha doméstica é um laboratório”, alerta.

A recomendação passa por comer opções encontradas em feiras livres, principalmente os orgânicos, reduzir, cada vez mais os industrializados e ficar atento nos alimentos funcionais e seu poder de prevenir doenças cardiovasculares e até obesidade. “Em resumo, é bom ficar atento a uma dieta alcalinizante representada por comidas ricas em enzimas que facilitem a digestão. Não podemos esquecer que são pacientes com sistema gastrointestinal muito frágil”, reforça Santana.

 

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