Premiados em Berlim, cineastas brasileiros criticam Temer

Karim Aïnouz leu um texto curto atacando o "golpe legislativo contra a primeira mulher eleita presidente", o "Judiciário que condena sem provas" e o "maior ataque aos direitos trabalhistas"

Karim Aïnouz, cineasta brasileiroKarim Aïnouz, cineasta brasileiro - Foto: Wikimedia Commons

O Brasil saiu bastante premiado na atual edição do Festival de Berlim, levando alguns dos principais prêmios dos júris independentes da mostra. Em uníssono, todos os diretores brasileiros premiados aproveitaram a ocasião, na manhã deste sábado (24), para tecer críticas a Temer e à situação política.

O documentário "Aeroporto Central", do cearense Karim Aïnouz, venceu o prêmio concedido pela Anistia Internacional como melhor filme do Festival de Berlim a abordar o tema dos direitos humanos. A obra acompanha a rotina de refugiados abrigados num aeroporto desativado no centro da capital alemã.

Ladeado por dois dos refugiados mostrados no longa, Aïnouz aceitou o prêmio dizendo que "muito embora tratasse da Síria", ele se sentia na obrigação de "falar do Brasil". O diretor leu um texto curto dizendo atacando o "golpe legislativo contra a primeira mulher eleita presidente", o "Judiciário que condena sem provas" e o "maior ataque aos direitos trabalhistas". "Isso provocou o aumento da violência e da miséria no nosso país", disse Aïnouz.

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A equipe do filme gaúcho "Tinta Bruta" também aproveitou a premiação para protestar. "Espero que em breve a nossa democracia seja restabelecida", disse Marcio Reolon, um dos dois diretores da obra, que levou o prêmio Cinema de Arte do Cicae, confederação que reúne exibidores de filmes artísticos.

"Tinta Bruta" fala de um jovem que se pinta com tinta fluorescente no escuro de seu quarto e dança pintado para anônimos da internet. O ator principal do filme, Shico Menegat aproveitou o prêmio do Cicae para dizer que esperava ver o Brasil "recuperar suas cores" e apoiar a comunidade LGBT, retratada na obra.

Na sexta (23), por sinal, a obra já havia vencido como melhor longa de ficção no Teddy, prêmio dedicado a filmes com temática "queer" do Festival de Berlim. Nessa mesma premiação, o também brasileiro "Bixa Travesty", que acompanha as divagações da cantora travesti paulista Linn da Quebrada, rendeu aos diretores Kiko Goifman e Claudia Priscilla o troféu de melhor documentário.

Já "O Processo", filme da brasiliense Maria Augusta Ramos que acompanha o processo de impeachment de Dilma Rousseff, ficou em terceiro lugar na escolha do público como o melhor documentário da seção Panorama do festival.

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