Reynaldo Fonseca: imerso nas artes plásticas há 75 anos

Artista pernambucano lança neste sábado (29), na Arte Maior Galeria, álbum contendo dez gravuras em edição limitada

Reynaldo Fonseca mantém em sua rotina diária a dedicação às pinturasReynaldo Fonseca mantém em sua rotina diária a dedicação às pinturas - Foto: Rafael Furtado

Há algo de fascinante na presença de Reynaldo Fonseca. Sentado em seu sofá, fumando serenamente enquanto conversa com a reportagem da Folha de Pernambuco, o artista pernambucano fala sobre seus quadros, influências e trajetória. Aos 92 anos, Reynaldo comemora os 75 de carreira com o lançamento de um álbum com dez gravuras, selecionadas pelo marchand Sergio Oliveira.

A edição limitada (100 exemplares) será apresentada em um coquetel de lançamento neste sábado (29), a partir das 10h, na Arte Maior Galeria. As imagens foram feitas entre os anos 1970 e 2000. O álbum será vendido por R$ 18 mil. As gravuras individuais custam R$ 2.700.

“Comecei a desenhar de um jeito um pouco diferente das outras crianças. Uma criança desenha uma roda, um traço como sendo os braços. Eu botava um menino com chapéu, e minha mãe notava minha tendência e até guardava esses desenhos. Não parei mais. Aí vi que eu era pintor mesmo”, diz Reynaldo.

“Fui para a Escola de Belas Artes, mas não queriam me aceitar. Porque era voltado a adultos e não para crianças. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos. Pediram para eu deixar meus desenhos e voltar no dia seguinte. Fui com o coração pulsando, o diretor concordou (com meu ingresso na escola), gostou muito dos meus desenhos. Eu só não podia ver modelos vivos, porque eram mulheres nuas”, lembra.

A rotina de Reynaldo é inteiramente influenciada pela criação artística. “Pinto o dia todo. Estava chateado porque vocês tomaram meu tempo”, brinca Reynaldo. “Acordo às 7h ou 8h, tomo café da manhã, subo para o ateliê, e fico até meio-dia. Depois desço, tomo banho, almoço, descanso um pouquinho e volto a trabalhar. À noite fico fazendo estudos para próximos quadros. Desenho com caneta bic”, diz. “É preciso amor à arte.

Eu leio muitos livros, lia esse enquanto esperava vocês”, aponta Reynaldo para uma publicação com os trabalhos de Jan van Eyck. “Veja que detalhes. Gostava também de Balthus. Ele pintava figuras adolescentes, tem uma atmosfera que me agrada”, relata.

O tempo de pintura de Reynaldo varia. “O tempo depende do tema e do tamanho do quadro. Um pequeno eu termino em oito ou 10 dias. Estou fazendo um grande há 15 dias e ainda estou pela metade”, comenta o artista. “Só faço um quadro por vez. Me dói muito quando tenho que vender. O Espaço Brennand está vendendo meus quadros. Mas alguns eu não venderia de maneira alguma”, diz o artista.

Serviço 

Lançamento de álbum de gravuras de Reynaldo Fonseca
Quando: Neste sábado (29), às 10h
Onde: Arte Maior Galeria (Avenida Domingos Ferreira, Boa Viagem)
Informações: (81) 3301.4354 e www.artemaior.com.br

 

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