Cafeterias se unem para superar a crise

Grupo especializado em cafés especiais encontrou no colaborativismo a saída para garantir a sobrevivência e aumentar seus lucros

Cafeterias reunidasCafeterias reunidas - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Uma boa xícara de café sempre teve o poder de aproximar pessoas. Talvez essa característica social da bebida também tenha estimulado a união de empreendedores de pequenas cafeterias do Estado em torno de um objetivo comum. Para vencer a crise, eles criaram um grupo onde a cooperação vale mais do que a competição. E, esse colaborativismo está ajudando a aumentar até a lucratividade dos negócios.

O grupo começou há aproximadamente dois anos pelo WhatsApp. “Reunimos empreendedores de outras cafeterias para trocar experiências”, conta Tallita Marques, à frente do Malakoff Café, com unidades no Recife Antigo e no Prado. No espaço virtual, os empresários fazem o intercâmbio de informações e tiram dúvidas. De grão em grão, o grupo já reúne 25 cafeterias pequenas e de rua, em funcionamento no Recife, Olinda e até em Porto de Galinhas. Todas focam na oferta de cafés especiais.

Assim como em toda a parceria entre negócios, há regras no grupo. A primeira delas é: ninguém fala mal do outro. Pelo contrário, os donos das cafeterias participantes estimulam os clientes a conhecerem outros estabelecimentos da iniciativa. “A gente entende que essa ‘infidelidade’ nos fortalece, porque todo mundo quer experimentar coisas diferentes, sobretudo quem valoriza um café de qualidade”, argumenta Raphael Vasconcelos, do Apolo Beer Café, no Recife Antigo.

Dessa ideia de dividir os clientes nasceu a primeira ação conjunta do grupo fora do ambiente virtual: o cartão infidelidade. Em vez de preencher o cartão em apenas um estabelecimento, a ideia é fazer o cliente percorrer várias cafeterias para ganhar os carimbos e concorrer a prêmios. “É um circuito cafeinado que estimula o cliente a voltar depois”, avalia Natália Valença, do Café com Dengo, no Rosarinho.

A experiência positiva com o cartão infidelidade foi um impulso para a segunda iniciativa do grupo, o Recife Coffee - festival lançado em 2016. Em sua segunda edição este ano, o evento quer aumentar a visibilidade dos estabelecimentos usando como isca um combinado de café mais um salgado e um doce, ao custo promocional de R$ 19,90. As sugestões dos baristas são divulgadas na internet e em um guia do festival. “Por causa do evento recebemos clientes de várias localidades, até de Olinda”, conta a experiente barista Lidiane Santos, que abriu recentemente o Kaffe, em Boa Viagem.

Isabele Almeida, do A Vida é Bela Café, também percebeu esse reforço. “Como o meu estabelecimento fica na Várzea, muitas pessoas não conhecem. No evento recebemos um público realmente interessado no universo do café”. Fruto do colaborativismo, o Recife Coffee rendeu o maior faturamento do Bogart Café, em Santo Amaro, nos últimos dois anos - aumento de mais de 100%. “O bom é que depois do incremento, o faturamento sempre permanece em um patamar superior”, aponta Natália Valença. “Isso mostra a fidelização da clientela”, diz.

Na primeira edição, o festival rendeu um faturamento de cerca de R$ 120 mil para os estabelecimentos participantes. Com um resultado tão positivo, a expectativa é que, este ano, a colaboração entre as cafeterias continue crescendo. “Percebemos que essa união tem ajudado até a fomentar o mercado local de cafeterias”, diz Tallita. A gestora de projetos de alimentos e bebidas do Sebrae-PE, Valéria Rocha, concorda. “Grupos de negócios como cafeterias, cervejarias, entre outros, ajudam a fortalecer o segmento dentro da cidade. Quanto mais pessoas conhecem e valorizam o produto, nesse caso o café especial feito por um barista, maior é o mercado consumidor”, avalia.

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