China reduz tarifa de importação de porco, abacate e ferronióbio

O país busca aumentar as importações em meio à desaceleração da economia e à guerra comercial com os Estados Unidos

Carne suínaCarne suína - Foto: Pixabay

A China anunciou nesta segunda-feira (23) que vai reduzir em 2020 tarifas sobre 850 produtos que vão de carne suína congelada e abacate e semicondutores. O país busca aumentar as importações em meio à desaceleração da economia e à guerra comercial com os Estados Unidos.

As tarifas de importação temporárias mais baixas serão adotadas para importações de países com os quais a China não possui acordo de comércio estabelecido.

As mudanças foram adotadas para "aumentar as importações de produtos que enfrentam uma relativa escassez doméstica, ou produtos especiais estrangeiros para o consumo diário", afirmou o Ministério das Finanças do país em comunicado.

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China e Estados Unidos amenizaram sua guerra comercial neste mês ao anunciar a fase 1 de um acordo que, vai reduzir tarifas dos EUA em troca, por exemplo, de mais compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.

A tarifa sobre carne suína congelada passará de 12% a 8%.

O país enfrenta problemas na oferta da proteína depois de um surto de peste suína africana que começou em agosto de 2018 reduzir quase pela metade o rebanho chinês.

Em resposta, a China busca impulsionar a produção de suínos, e tem elevado as importações de várias carnes para atender à demanda local.

O país importou 1,733 milhão de toneladas de carne de porco neste ano até novembro, 58% a mais que em 2018.

Para a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), a redução de 33% da tarifa aplicada à exportação de suínos deverá ter impacto positivo no setor brasileiro.

Já para o vice-presidente da Aurora, Neivor Canton, a redução deve ser vista de maneira cautelosa, em face do recente entendimento entre EUA e China. A cooperativa exporta à China entre 12 mil e 15 mil toneladas de frangos e porcos ao mês.

"Não necessariamente representa vantagem ao produtor brasileiro porque os EUA têm aumentado suas exportações de suínos para lá e pressionado o preço para baixo", diz.

Segundo Canton, a Aurora decidiu não expandir sua produção para não contribuir com uma eventual superoferta. Hoje, a cooperativa abate diariamente 22 mil porcos.

A China vai ainda zerar tarifas de importação de ferronióbio, usado como aditivo ao aço de baixa liga e aço inoxidável de alta resistência para oleodutos e gasodutos, carros e caminhões, visando o desenvolvimento de alta tecnologia.

O país importou 35.909 toneladas de ferronióbio em 2018 e 37.818 toneladas nos primeiros dez meses deste ano.

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