Em defesa das mulheres na tecnologia

Estudante pernambucana representa o Estado em evento que discute a baixa participação feminina neste setor na Califórnia

Anna Carvalho só tem uma colega mulher na faculdade. Por isso, tenta atrair mais representantes do gênero para o mercado   Anna Carvalho só tem uma colega mulher na faculdade. Por isso, tenta atrair mais representantes do gênero para o mercado  - Foto: Divulgação

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as mulheres representam apenas 16% dos universitários que se graduam em cursos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês). Quem faz parte deste pequeno grupo, porém, quer mudar essa situação, criando iniciativas que atraiam mais mulheres para o desenvolvimento tecnológico.

Um exemplo é a jovem estudante pernambucana Anna Gabriela Carvalho, 21 anos, que está representando o Estado em um congresso de mulheres influentes na tecnologia mundial na Califórnia, o Women Who Code. Aluna de Ciência da Computação do Cesar School, Anna é uma das líderes desse movimento no Recife. “Iniciativas como essa são essenciais para incentivar a participação de mais mulheres na área”, explica a estudante, ressaltando que “fazer parte do WWCode motivou e proporcionou um ambiente seguro e enriquecedor para aprender e compartilhar” na volta para o Recife.

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“Espero poder ajudar outras meninas a se sentirem assim também. Esses eventos proporcionam um networking absurdo. E é muito inspirador ver a quantidade de mulheres incríveis bem sucedidas na área”, explica Anna, já em solo americano.
Estão confirmadas no Women Who Code, por sinal, executivas de empresas como Mozilla, Adobe e PayPal. Uma delas é outra pernambucana: Karina Machado, que tem mais de dez anos de experiência na área e participa do ciclo de palestras neste fim de semana.

Casos como o de Karina, porém, ainda são raros. Prova disso é a grade de alunos do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Principal formador de programadores, desenvolvedores, engenheiros e analistas de sistema do Estado, o CIn conta com apenas 166 matrículas femininas. Isto é, só 12% dos 1.378 estudantes do instituto são mulheres.

No Cesar School, a situação não é muito diferente. Na turma de Anna, por exemplo, só há mais uma mulher. Por isso, as estudantes admitem ter vivido situações desagradáveis e desencorajadoras nas aulas e estágios, seja por meio de piadas ou julgamentos errôneos. “Coisas que não aconteciam com os homens ao meu redor”, diz Anna, contando que, apesar de incomodar, isso “deu mais vontade ainda de seguir fazendo o que mais gosto”.

A estudante deixa, então, um recado para as mulheres que têm dúvidas sobre a carreira nessa área. “Não estamos nem perto do ideal, mas é bom ver como o discurso está mudando, como as instituições se preocupam com isso hoje. Acho que vai fazer diferença lá na frente", acredita Anna, dizendo que participar de comunidades femininas ajuda a trilhar esse caminho.

“Pode ser difícil em alguns momentos, mas é preciso confiar em você mesma. Se você realmente tem interesse e gosta disso, vá em frente. Com certeza também diria pra entrar em alguma comunidade de TI, principalmente voltada para mulheres, como o WWCode. Isso me ajudou e motivou bastante no início”, recomenda Anna, dizendo que o caminho é longo, mas necessário.

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