Medo do desemprego entre brasileiros volta a subir em abril, diz CNI

Nos primeiros três meses do ano, 1 em cada 4 brasileiros não trabalharam ou trabalharam menos do que gostariam

O número de empregados com carteira de trabalho assinada, que ficou em 32,7 milhões, apresentou queda de 1,7% O número de empregados com carteira de trabalho assinada, que ficou em 32,7 milhões, apresentou queda de 1,7%  - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O medo do desemprego voltou a subir, segundo índice da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta terça-feira (30).

Após encerrar 2018 na maior queda já registrada desde o início da série, o índice que mensura o medo do desemprego alcançou 57,0 pontos em abril. De acordo com a entidade, o número representa uma alta de 2 pontos na relação com dezembro e acima da média histórica de 49,9 pontos.

O avanço do índice acompanha os dados do IBGE, também divulgados nesta terça, sobre o recorde da taxa de subutilização da força de trabalho brasileira. No primeiro trimestre deste ano, 1 em cada 4 trabalhadores no país não trabalharam ou trabalharam menos do que gostariam no período.

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É o maior índice desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), iniciada em 2012. Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, houve alta de 5,6%, o que significa a entrada de 1,5 milhão de pessoas para esse grupo.

Já a taxa de desemprego no país nestes primeiros três meses ficou em 12,7%. Ao todo, 13,4 milhões de brasileiros procuravam emprego no período, alta de 10,2% com relação ao trimestre encerrado em dezembro.

No último mês de 2018, o índice do medo do desemprego teve seu maior recuo, com queda de 10,7 pontos, na comparação com setembro -a maior desde maio de 1996, quando iniciou a série.

Baixa renda e satisfação
Se o medo de ficar sem trabalho afeta os brasileiros de maneira geral, no recorte dos que têm ganhos familiares acima de cinco salários mínimos (a maior faixa de renda analisada), a situação é outra. De acordo com a CNI, o índice caiu pela segunda vez seguida para este grupo: se em dezembro era de 42,2 pontos, agora ele chega aos 39,7.

Mas, das faixas de renda analisadas, essa foi a única a ter redução, o que significa que os grupos com as menores rendas são aqueles com maior receio do desemprego. Não à toa o avanço mais intenso veio dos brasileiros com ganhos familiares de até um salário mínimo: de 65,8 pontos em dezembro para 68,1 pontos em abril.

Em consonância com o maior medo em abril, a pesquisa também indicou que a satisfação dos brasileiros com a vida piorou. O indicador recuou 0,7 ponto, ficando em 67,9 (abaixo da média histórica de 69,7). Em dezembro, contudo, esse número havia avançado 2,7 pontos em relação a setembro.

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