'Nossa meta é manter essa curva ascendente', diz presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim

Presidente Romildo Rolim fala da sua gestão à frente do Banco do Nordeste, além de temas polêmicos, como saída e privatização da instituição

Romildo Rolim, presidente do Banco do NordesteRomildo Rolim, presidente do Banco do Nordeste - Foto: Ed Machado/ Folha de Pernambuco

Em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco, o presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim, comenta os resultados do BNB até o momento e fala um pouco da sua experiência à frente da gestão do banco. Temas polêmicos, como uma possível mudança na gestão do banco, como privatização, também pautaram a conversa com esse cearense que credita à equipe que gere os resultados à frente do BNB.

No começo deste ano, após a divulgação dos resultados de 2018, o senhor revelou que a meta do Banco do Nordeste é se tornar o maior banco de desenvolvimento da região. Neste fim de 2019, já é possível afirmar que a meta foi cumprida?

No ano passado a gente fez uma contratação recorde de R$ 43 bilhões, que foi R$32.6 bilhões de FNE e em torno de R$11 milhões de microcrédito. Realmente foi bem expressivo em relação à 2017, quando tínhamos contratado ao todo R$26 bilhões. Para este ano, a gente também previu contratar em torno de R$ 40 bilhões, que seria R$ 27.7 bilhões de FNE e mais R$12 bilhões em operações de curto prazo, cujo a maioria é do Crediamigo, do microcrédito urbano que a gente já passou da casa dos R$10 bilhões este ano, recorde. Estamos em uma curva ascendente, o que nos credencia como o maior banco de desenvolvimento do Nordeste.

Na semana passada, após a reunião do Conselho Deliberativo (Condel) da Sudene, foi anunciado R$29,3 bilhões para o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em 2020. O que significa esse montante para os programas do BNB que utilizam esses recursos para promover o desenvolvimento no Nordeste?

Esses recursos deverão ser utilizados de forma coordenada, conforme as diretrizes e prioridades definidos pela programação do FNE aprovadas para 2020. Sendo assim, os valores deverão ser destinados ao financiamento para o desenvolvimento dos setores do comércio e serviços, da¬¬ agricultura, pecuária, indústria, agroindústria e do turismo, assim como na infraestrutura, como no FNE Sol. Nesse, a gente financia as placas solares, estimulando a autossuficiência energética, tanto para pessoas jurídicas quanto físicas, ou seja, nas residências.

Sobre os programas de microcrédito do BNB, o que o senhor pode comentar sobre os resultados deste ano?

Só no Crediamigo, programa de microcrédito orientado do banco para pessoas físicas, apenas até novembro deste ano, conseguimos ter uma alta de 12%. Nossa meta é manter essa curva ascendente de aplicação do banco. Se a gente fez R$40 bilhões ano passado, faremos mais neste ano e continuar fazendo mais para o próximo ano. Crescer em quantidade de operações para fazer mais desembolso, porque é importante manter essas aplicações no setor produtivo e acelerado.
A taxa de desocupação do Brasil está recuando, mas motivada pelo crescimento do trabalho informal. Neste sentido, os programas de microcrédito do BNB seriam uma porta de entrada para a formalização dos empreendedores nordestinos?

Como banco tem o maior programa de microcrédito produtivo orientado da América do Sul no Nordeste, temos 2,5 milhões. Está desempregado, no emprego informal, mas ele produz algo. As pessoas têm uma atividade e isso faz com que elas possam crescer. No Crediamigo a gente financia de R$500 a R$21 mil, quando a gente chega a esse teto, a gente tem que migrar para uma formalidade, pois os outros programas têm que ter formalidade. Então, o microcrédito do BNB pode sim ser uma porta de saída da informalidade.

Ao que o senhor credita o sucesso desses programas de microcrédito do BNB?

Ao credito orientado. Você vai experimentando o cliente e vai crescendo o crédito e confiança do empreendedor de acordo com o crescimento da própria atividade.

Cerca de 65% do microcrédito do Brasil é originário pelo BNB. Ainda há espaço para crescer esse percentual? Caso sim, qual a meta para o próximo ano?

Atualmente, temos 2,5 milhões de clientes ativos e queremos chegar até 2022 com 5 milhões de clientes ativos. Então, temos os desafios propostos às equipes estaduais para a partir do próximo ano aumentar 700 mil clientes ativos a cada ano para quando chegarmos em 2022 apenas complementarmos.

Diferente de outras indicações para presidir o BNB, a sua trouxe pela primeira vez uma pautada pelo perfil técnico, de alguém que além de todo o conhecimento teórico, tem uma bagagem de 30 anos como funcionário de carreira do banco. Neste sentido, como o senhor avalia a sua gestão no comando do BNB?

Na próxima semana eu vou fazer dois anos à frente da presidência do banco e como funcionário de carreira, passei por várias áreas, então, você vai conhecendo a empresa. Você entende a missão do banco, tem o recurso e tem as equipes, então é chamar todo mundo, fazer a gestão, dá velocidade às operações. Saber o que precisa melhorar e conhecer o que a concorrência está fazendo, acho que o banco avançou, tem muita coisa para fazer, mas o importante é saber que estamos na direção correta e saber o que tem que fazer para dá o pódio para esse banco como banco que está fazendo de fato o seu papel de banco de desenvolvimento, com foco nos menores. Fazemos isso com parceria, com as federações em ada segmento, que nos ajuda.

No começo deste mês houve algumas notícias que davam como certa a mudança do comando do banco. O que o senhor tem a falar a respeito?

O Banco de Nordeste é dono de um dono, que é o Governo Federal, por isso tem pessoas no governo que cuidam do banco, que no caso, é o ministério da Economia. A gente está lá há dois anos, mostrando os números e o banco tem melhorado bastante, nossos indicadores de eficiência são excelentes por conta dos resultados. Estou realmente tranquilo, pois tendo passado esse tempo a frente e vendo os números, então, a gente conseguiu fazer. Se chegar uma pessoa de fora, vamos achar natural, caso venha. Não acredito em começo, meio e fim, mas em começo, meio e legado. Esse legado, seja quem vier, vamos ajudar a crescer. Seja quem for, porque os negócios do banco são feitos pelas equipes, não importa quem esteja na presidência, o banco vai andar e vamos colaborar para o que vier e se vier a gente trabalhar para fazer banco melhor.

Volta e meia, surgem notícias de que o Banco do Nordeste pode ser privatizado. Na sua avaliação, existe algum tipo de risco ou é algo que o senhor não chega a temer?

Na minha visão, acredito muito no trabalho. E quando a gente trabalha, os resultados aparecem. A efetividade da estatal, seja ela qual for, quando ela faz seu papel, é autossustentável, gera resultados e além disso ainda sobra para o tesouro. Então, o banco faz seu papel e acredito que uma empresa que dá resultado e faz todas as entregas para sociedade e para o governo, ela deve perpetuar. Além do quê, não existe nenhum tipo de demanda ou estudo para privatização do banco.

Com o ano de 2019 praticamente no fim, o que podemos esperar de novidade para 2020 do Banco do Nordeste?

Vamos focar mais, sem deixar de fazer o grande, que gera mudanças expressivas, nos pequenos negócios e nas startups, financiar ideias.

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