Pernambuco tem 703 mil sem emprego

Pesquisa do IBGE revela que a taxa de desocupação de Pernambuco, de 16,7%, está acima da nacional, que é da ordem de 11,9%

Número de desalento cresce em PernambucoNúmero de desalento cresce em Pernambuco - Foto: Alfeu Tavares / Folha de Pernambuco

Pernambuco apresentou a quarta maior taxa de desocupação no País, maior que a média brasileira, no terceiro trimestre deste ano. Na Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnad Contínua Tri), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Estado foi de 16,7%, o equivalente a 703 mil pessoas, enquanto no Brasil, o percentual foi de 11,9%, relativo a 12,4 milhões de pessoas.

No levantamento de julho, agosto e setembro, 14 estados brasileiros registraram a taxa acima da média nacional. Apenas Amapá (18,3%), Sergipe (17,5%) e Alagoas (17,1%) superaram Pernambuco. No trimestre passado, Pernambuco apresentou uma taxa de desocupação em 16,9%, o equivalente a 710 mil pessoas na ocasião. “Pernambuco praticamente não conseguiu se recuperar. Isso é enfrentado como preocupação porque é uma das mais altas taxas do País, um contingente grande de desempregados”, comentou o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos, que vê estabilidade na situação.

Segundo ele, esse panorama afeta setores fundamentais da economia. “Para o comércio e para o segmento de serviços é muito ruim porque a população pisa no freio no momento de ter acesso ao crédito. Ou seja, no cenário de desconfiança, as pessoas têm receio de perder o emprego e evitam se endividar, diminuindo o volume de vendas”, explicou Ramos, ao complementar que depois da crise, mais integrantes de uma mesma família passaram a procurar emprego.

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No contexto dos estados, o analista do IBGE, Cimar Azeredo, aponta estabilidade. “Os dados mostram que a desocupação apresenta estabilidade na maioria dos estados, queda em alguns deles e avanço apenas em Roraima”, analisou Azeredo.
Na avaliação de Ramos, a média nacional, que caiu de 12,4% para 11,9%, comparando o segundo e o terceiro trimestre, se justifica pelo aumento da informalidade e dos autônomos. “Esses novos empregos não são formais. Se caracterizam pela informalidade e pelas pessoas que estão trabalhando por conta própria”, esclareceu.

Após terminar o ensino médio na escola, Talita Alves, 19 anos, passou a fazer parte da estatística. Ela conta que está com dificuldade de se inserir no mercado de trabalho. “Fiz cursos de vendas, mas quando coloco currículo em lojas e vou na agência de trabalho, me informam que preciso de experiência. Estou há um ano tentando algum emprego”, contou a jovem, que, por enquanto, só tem a renda da aposentadoria da sua mãe em casa. Segundo Azeredo, “a população jovem continua prejudicada pelo desemprego, bastante rejeitada no mercado de trabalho em função da falta de qualificação e formação”.

Algumas diferenças entre as categorias analisadas pelo IBGE se tornam preocupantes, por estarem dentro de um cenário que é histórico. É o caso das taxas de desocupação entre mulheres, nordestinos e negros, que são maiores comparadas aos outros grupos.

No levantamento do terceiro trimestre deste ano, a população feminina apresentou uma taxa de desemprego de 13,6%, mas entre os homens, a taxa foi de 10,5%. O Nordeste teve maior taxa entre as regiões, com 14,4%. E a classificação por cor também apontou maior desemprego entre a população preta (14,6%) e parda (13,8%), em relação à população branca (9,4%).

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