PIB do Estado cresce mais que o do País

Pernambuco teve alta pelo segundo ano seguido:1,9% em 2018 e 2,% em 2017. Desempenho superou o do Brasil, que teve 1,1%

Resultado foi apresentado nesta segunda-feira (18)Resultado foi apresentado nesta segunda-feira (18) - Foto: Kleyvson Santos/Folha de Pernambuco

 

A economia de Pernambuco cresceu 1,9% em 2018 em comparação com 2017, ano em que o Estado teve uma evolução de 2%. São dois anos consecutivos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pernambucano, apesar da recessão em que o Brasil mergulhou a partir de 2014.

O resultado do PIB de 2018, apresentado nesta segunda-feira (18) pela Agência de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco- Condepe Fidem, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão, mostrou crescimento em todos os setores econômicos: Agropecuária, 5,3%; Indústria, 2% e Serviços 1,7%.
No quarto trimestre de 2018, em relação ao mesmo período de 2017, o PIB teve um melhor desempenho, crescendo 3,9% - apesar de uma queda de 3,9% % na Indústria que foi compensada pelos aumentos na Agropecuária (4,9%) e nos Serviços (1,4%).
Pernambuco manteve a participação de 2,7% do PIB nacional, registrada em 2017, o equivalente a R$ 182,8 bilhões em preços de mercado.

Na comparação com o Brasil, que cresceu 1,1% em 2018, o Estado continuou na frente. “Pernambuco cresceu mais que o País em 2017 e em 2018, com resultados positivos em setores importantes. É uma retomada da nossa economia em dois anos seguidos, apesar da crise. Pode parecer devagar, mas é consistente”, afirmou a presidente da Agência Condepe/Fidem, Sheilla Pincovsky.

Setores impactados
Formada basicamente pelo setor terciário (serviços) que responde por 76,0% do PIB estadual, e pela indústria, com 19,7% de participação, a economia vem crescendo com novos serviços e polos produtivos. Na indústria de transformação, em 2018, o aumento foi de 3,2% na produção física, com destaque para a fabricação de veículos automotores que cresceu 21,3% e representa o desempenho da Jeep, instalada em Goiana. Na sequência, produtos de metal tiveram um aumento de 20,0% e sabões, cosméticos e higiene pessoal subiram 16,2%.\

Outros segmentos registraram queda, refletindo mudanças e dificuldades de recuperação como as enfrentadas pelo setor têxtil, que caiu -9,4%, e o segmento de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-7,9%), um efeito da diminuição na produção dos estaleiros e da Renest. “A refinaria tem peso importante na geração de valor do PIB pernambucano mas vem sofrendo com a mudança da política da Petrobras”, explicou o gerente de Estudos e Pesquisas da Agência Condepe Fidem, Rodolfo Guimarães. A reviravolta da petroleira frustrou as expectativas de alavancagem da economia a partir da implantação do polo de petróleo e gás em Suape. “Mas não por eles em si, e sim por não estarem completos. O Estaleiro (Atlântico Sul) teve sua demanda desconstruída, hoje se prefere comprar navios mais baratos em Cingapura. Se houvessem encomendas para o estaleiro, se a refinaria tivesse sua unidade de redução de enxofre concluída, se a politica de refino nacional aumentasse o uso da capacidade instalada da unidade, obviamente teríamos mais retorno para nossa economia”, explica o economista Écio Costa.

O coordenador do Núcleo de Economia da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), o economista Cezar Andrade, lembra que a previsão da indústria estadual era crescer 3,0% em 2018, mas o ano foi abalado pela greve dos caminhoneiros, em maio. “O impacto da Jeep, que produziu 199 mil veículos em Goiana, em 2018, foi significativo. O PIB industrial poderia ser ainda menor sem esta fábrica”, pondera.
No comércio varejista, que faz parte do setor de Serviços, a venda de veículos foi justamente a que apresentou uma expansão significativa em 2018, com aumento de 11%. A evolução de vendas também em móveis, artigos farmacêuticos e médicos e em outros artigos de uso pessoal - que oscilaram entre 2,6% e 2,9% - já mostra uma recuperação na renda das famílias, com efeitos na Construção Civil, que tem aumentado a construção imobiliária de olho na volta da classe média ao consumo. Os empresários dizem que este ano é de preparação e em 2020 vão voltar a crescer.
Para 2019, o diretor de Estudos e Pesquisas da Agência Condepe Fidem, Maurílio Lima, estima um aumento de 2,5% a 3% do PIB de Pernambuco, os mesmos índices que eram previstos para 2018, há um ano, mas foram reduzidos para perto dos 2% no segundo semestre. "Não houve surpresas nos números estaduais, só os dos Brasil. depois de uma desaceleração que frustrou as expectativas", completa Rodolfo Guimarães.

PIB

PIB - Crédito: Arte/Folha de Pernambuco

 

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