Receita do FMI para o Brasil se alinha com a política do governo

"Há uma necessidade abrangente de impulsionar a confiança e aumentar o investimento por meio do fortalecimento das políticas", disse a entidade em um relatório

Valsa #6Valsa #6 - Foto: Divulgação

Retomada da confiança e do investimento, teto de gastos e ajuste fiscal. Essas são as principais recomendações do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o Brasil no relatório anual Panorama Econômico Global, lançado nesta terça (4) em Washington, que se alinham com as prioridades anunciadas pelo governo de Michel Temer.

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"Há uma necessidade abrangente de impulsionar a confiança e aumentar o investimento por meio do fortalecimento das políticas. A adoção da lei de gastos e o estabelecimento de uma consolidação fiscal coerente de médio prazo enviaria um forte sinal de comprometimento político", diz.

"Outros imperativos para aumentar o investimento incluem a simplificação do regime tributário, a redução de barreiras ao comércio e as carências em infraestrutura para reduzir o custo de fazer negócios".

Em relação a seus números de abril, o FMI elevou em 0,5 ponto percentual as projeções de crescimento do Brasil em 2016, para uma contração de 3,3%, e 2017, para expansão de 0,5%.

O Fundo destaca, porém, que tais previsões partem da suposição de que haverá um "declínio das incertezas políticas", enquanto há um terreno instável à frente: a contração da economia continua, embora num ritmo mais moderado, a inflação está acima da meta do Banco Central e a credibilidade política foi "severamente abalada pelos eventos que levaram à transição do regime", diz.

As projeções de inflação do FMI para o Brasil são de 7,2% neste ano e de 5% em 2017, alinhadas com as previsões do BC. No último Boletim Focus, a consulta semanal do BC a analistas de mercado, a expectativa era de 7,25% em 2016 e de 5,07% em 2017.

Como já havia destacado em seu relatório sobre o país na semana passada, o Fundo vê sinais de que a economia brasileira começou a sair do fundo do poço em termos de confiança e está deixando a recessão para trás, enquanto diminuem os efeitos negativos de "choques recentes -o declínio nos preços das commodities, os ajustes de preços administrados de 2015 e a incerteza política".

O índice de commodities do FMI registrou aumento de 22% nos preços desde abril deste ano, o maior deles para o do petróleo, que subiu 50% para US$ 45 em agosto depois de em janeiro ter tocado na cotação mais baixa em dez anos.

Os não combustíveis também tiveram altas de preços significativas nesse período, 12% para os metais e 9% para as commodities agrícolas, que são 65% das exportações do Brasil. "Os preços de metais foram gradualmente caindo devido à desaceleração na China e de seu afastamento do investimento intensivo em commodities, mas o recente estímulo [econômico] deu algum suporte aos preços", diz o relatório.

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