Turismo náutico cresce 40% em Pernambuco

De acordo com empresários, atividade tem demanda crescente, mas precisa de divulgação e apoio para ser melhor explorada

Turismo náutico na Praia do PaivaTurismo náutico na Praia do Paiva - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O verão em Pernambuco aquece a economia regional e movimenta a cadeia produtiva a partir do crescimento a presença de turistas na região. Conhecido por paisagens encantadoras nos litorais, o Estado apresenta um mercado de turismo náutico considerado relevante e crescente. Para este ano, nos meses em que compreende a alta temporada, setor avalia um incremento de 40% na taxa de ocupação dos passeios náuticos, de acordo com a associação Recife Convention & Visitors Bureau (Recife CVB). Entretanto, o segmento também aponta que a região poderia ser mais explorada, com incentivos e ações de órgãos públicos.

Com passeios de navegações pelo Rio Capibaribe, na capital pernambucana, e nas praias do litoral Sul e Norte, Pernambuco consegue abranger atividades náuticas em janeiro e fevereiro com maior frequência. “De maio a setembro, há uma queda significativa da ocupação nos passeios náuticos devido às chuvas, alcançando uma média de 60%. Quando chega o verão, os meses de dezembro, janeiro e fevereiro apresentam quase 100% dessa taxa”, informou a presidente do Recife CVB, Marta Freitas, ao complementar que nesse período todos da cadeia produtiva são beneficiados, como hotéis e empresas de receptivos.

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Há 30 anos realizando passeios náuticos, o Catamaran Tours se fortalece a cada ano no setor. Nesta temporada de 2017/2018, a empresa registrou, até o momento, um crescimento de cerca de 30% na movimentação dos visitantes em relação à 2016/2017. “A demanda está bem aquecida. Nos passeios do Recife, por exemplo, a média é de mais de 200 pessoas por dia, e nos de Carneiros, no litoral Sul, o aumento foi ainda maior, com cerca de 500 pessoas por dia”, ressaltou a diretora da empresa, Juliana Britto. Ainda segundo ela, é verificado um número maior de turistas de outras regiões durante a semana e de visitantes pernambucanos nos fins de semana.

Para a família do engenheiro Fernando Silva, de São Paulo, o passeio náutico que atravessa as pontes do Recife é um atrativo da cidade. “Consegui informações facilmente pela internet sobre a programação e trouxe meus pais para conhecer. Estamos achando um programa excelente”, contou o engenheiro, acompanhado pelos pais Luiz Fernando e Regina. Assim como eles, o casal Simone Pilotto e Marcos Fernandes, da cidade de São José dos Campos, recebeu a indicação de um taxista da cidade. “Estávamos em deslocamento com o taxista quando chegamos ao Recife e ele falou sobre o passeio. Então decidimos marcar a reserva através de agentes no hotel”, relatou Fernandes.

Proprietário da Marina Casa Navio, localizada na praia do Paiva, César Caetano está há sete anos no mercado de administração de aluguel de embarcações. Para ele, este ano representou um incremento. “Este verão teve maior número de movimento na marina e, consequentemente, na arrecadação do negócio. A maioria são pernambucanos que trazem turistas de outros estados através das nossas divulgações em página eletrônica e redes sociais”, disse Caetano.

Apesar desses crescimentos, empresas do setor têm trabalhado em parcerias para expandir o mercado, pois segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE), Artur Maroja, ainda há muito a ser desenvolvido. “Podemos buscar a potencialidade da área para desenvolver esse polo em Pernambuco. O governo do Estado deveria ter uma política de estratégia mais presente para captação desse turista”, defendeu Maroja.

A recifense Sílvia Buarque, que leva suas netas para passeios de turismo náutico em Pernambuco, defende que esses espaços sejam mais divulgados. “O turismo náutico na região retrata nossa história, por isso deve ser mais explorado. Há espaços e maneiras para serem divulgados, como ambientes culturais, parques, shoppings”, justificou Sílvia.

Com uma diversificação nas atividades ligadas ao turismo náutico, o Cabanga Iate Clube de Pernambuco é uma ponte para embarcações do Brasil e de outros países realizarem os passeios na região. A partir do Cabanga, as empresas de transportes marítimos oferecem locações de lanchas, catamarãs e barcos, por exemplo. “O clube faz questão de captar da melhor forma o turista, é preciso cativar esses visitantes. Porém, no Recife, falta uma responsabilidade do poder público para desenvolver o setor”, argumentou o Comodoro da empresa, Delmiro Gouveia, acrescentando que a atividade está atrelada diretamente à economia da região.


Serviços
Os produtos de turismo náutico estão presentes em Pernambuco e podem ser praticados em lanchas, catamarãs, jet ski, barcos pelo rio ou pelo mar. Agências de viagem, guias turísticos, hotéis e pousadas, e a internet são ferramentas atuais que podem ser utilizadas pelos visitantes para entrar em contato com a prática dessa atividade no Estado. Os passeios se apresentam com preços variáveis, de R$ 30 R$ 3.500, a depender da embarcação e do tempo do programa.

Na capital pernambucana, o passeio tradicional é o do catamarã, realizado há 21 anos pela empresa Catamaran Tours. “Devido à demanda da alta temporada, ampliamos as saídas dos passeios até o dia 18 de fevereiro”, destacou a diretora da rede, Juliana Britto. Com saída na sede da empresa, no Cais das Cinco Pontes, o turista encontra o passeio todos os dias da semana em cinco horários diferentes: 11h, 14h30, 16h, 17h30 e 20h. Apenas aos domingos a empresa não disponibiliza o último horário. São cinco roteiros realizados: pontes, bairros da cidade, comunidade da Ilha de Deus, Recife Assombrado, Piratas do Caribe e Encontro das Águas. Os preços variam de R$ 30 a R$ 60.

No litoral Sul, o roteiro de catamarã pela praia de Carneiros funciona todos os dias com saída às 10h30 do restaurante Bora Bora. O passeio, no valor de R$ 55, inclui visita ao banco de areia e banho de argila. Na praia do Cabo de Santo Agostinho, é disponibilizada a programação a partir do embarque próximo ao Hotel Vila Galé no valor de R$ 55 de segunda a sábado, às 10h. A saída inclui o percurso pelo Porto de Suape, estaleiros da região, além de áreas de preservação ambiental. No local, é possível também alugar lanchas para roteiro nas praias de Serrambi, Calhetas e Santo Aleixo, com preços variáveis de R$ 300 a R$ 3.500.

Ainda no litoral Sul, a praia do Paiva tem rotas especiais a partir do aluguel de embarcações marítimas. As marinas da área funcionam de quinta a segunda-feira, das 9h às 17h. Disponibilizados com marinheiros, os passeios têm custo médio de R$ 400 e embarcam cerca de dez pessoas por viagem. Em Porto de Galinhas, os visitantes também podem alugar o serviço privativo de embarcações que custam em torno de R$ 2.700 para dez pessoas.

Já no litoral Norte, tem passeio de catamarã pela praia de Maria Farinha com saída do Hotel Amoaras. O roteiro, com preço de R$ 50, integra passagem pelo rio Timbó e parada na Ilha de Itamaracá. A empresa Catamaran Tours também realiza passeio por agendamento com saída na Coroa do Avião. Ainda em Itamaracá, os turistas podem alugar lanchas com capacidade média de seis pessoas no valor de R$ 10 por visitante para passar o dia na Coroa do Avião.

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