'Unicórnios' invadem o mundo dos negócios

Você sabia que, além de brilhar em fantasias, existem empresas unicórnio? É verdade

App 99 é a primeira empresa unicórnio do Brasil App 99 é a primeira empresa unicórnio do Brasil  - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Nunca se falou tanto de unicórnio no Brasil. Afinal, esta foi a fantasia mais vista e desejada deste Carnaval. Mas você sabia que não foi só na folia que este animal mitológico se tornou um objeto de desejo? No mundo dos negócios e da tecnologia, virar um unicórnio também é o sonho de muita gente. É que esta é a denominação dada às startups cujo valor de mercado iguala ou supera a marca de US$ 1 bilhão, como Uber e 99.

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“O unicórnio é uma figura mítica que tem muito valor e seria difícil de encontrar. Por isso, esta acabou se tornando a denominação de uma startup diferenciada, que se destaca no mercado de tecnologia pela capacidade de escalabilidade, replicabilidade, disrupção e traduz isso em um valor de mercado de US$ 1 bilhão”, explicou o startup hunter da aceleradora Liga Ventures, Raphael Augusto, lembrando que esta avaliação pode ser calculada tanto pelos investidores quanto pelas ações da empresa.

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“Mas, para uma startup ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão, ela precisa oferecer algo muito diferente, difícil de se ver, quase como um unicórnio”, frisou o gerente de empreendedorismo do Porto Digital, André Araújo, dizendo que, por conta disso, as empresas unicórnio têm algumas características em comum, como o uso da tecnologia na resolução de um problema global. “Um unicórnio nasce de uma startup, porque a tecnologia é um fator que traz escalabilidade para o negócio. Sem isso, as empresas precisam de muito mais investimento para crescer e chegar a este valor”, explicou Augusto. “E a empresa tem que se construir em um contexto de mercado favorável, pensando em solucionar um problema amplo, para atingir uma escala global”, concluiu Araújo.

Apesar das dicas, os especialistas frisam que vir a ser um unicórnio vai depender do esforço e até da sorte dos empreendedores, já que não são todas as startups que conseguem se transformar em grandes companhias. Mas são muitas as chances de construir um negócio deste tipo, pois esse conjunto de habilidades pode ser aplicado em diversos segmentos e não só no de mobilidade, como fazem a Uber e a 99. Há unicórnios de comunicação, cultura, turismo e pagamento, por exemplo, como Facebook, Spotify, Airbnb e PagSeguro, respectivamente. Afinal, além disso, na tecnologia, os unicórnios são bem mais antigos que as fantasias de Carnaval.

O termo “empresa unicórnio” começou a ser usado em 2013, quando Aileen Lee, fundadora do fundo de investimento californiano CowboyVC, escreveu um artigo relacionando as startups que levaram menos de dez anos para atingir a marca de US$ 1 bilhão a esta figura mitológica. “Bem-vindo ao clube do unicórnio: aprendendo com as startups de US$ 1 bilhão”, escreveu Aileen, que buscava identificar e analisar essas empresas com a intenção de ajudar os investidores a formar novos unicórnios e, assim, obter maiores retornos financeiros.

“Sim, nós sabemos que o termo unicórnio não é perfeito - unicórnios aparentemente não existem e essas companhias existem -, mas nós gostamos deste termo porque, para nós, isso significa algo extremamente raro e mágico”, explicou Aileen, que só identificou 39 startups que se encaixavam nesta denominação entre as empresas de tecnologia nascidas entre 2003 e 2013. “E digamos que 60 mil empresas de software e internet foram financiadas na última década. Isso significaria que 0,07% tornaram-se unicórnios. Ou, 1 em cada 1.538”, concluiu a investidora.

Os esforços de Aileen em estudar este nicho de mercado, no entanto, parecem ter dado certo. É que, desde então, o unicórnio tem se tornado uma figura cada vez menos rara, pelo menos no mundo da tecnologia. Levantamento da CB Insights, por exemplo, identificou 227 empresas deste tipo no mundo. São companhias que somam US$785 bilhões e estão concentradas principalmente nos Estados Unidos e na China, mas já começam a surgir em outros países, inclusive nos que estão em desenvolvimento. A Índia, por exemplo, já é o berço de nove unicórnios. E o Brasil ganhou as suas primeiras startups deste tipo no início deste ano: a 99 e o Pagseguro.

Primeiro unicórnio brasileiro, o aplicativo de táxis e viagens compartilhadas 99 alcançou a marca de US$ 1 bilhão quando foi adquirida pela plataforma chinesa Didi Chuxing, no primeiro dia útil deste ano. “A Didi é um conglomerado de mobilidade chinês que quer adquirir escala global e comprou a 99 para se consolidar neste mercado.

Só que o valor da compra também fez as ações da 99 ultrapassarem o US$ 1 bilhão”, contou Augusto, dizendo que, depois disso, não demorou muito para que o Brasil ganhasse outra startup deste valor. A plataforma digital de pagamentos Pagseguro tornou-se unicórnio em 24 de janeiro, quando abriu o seu capital na Bolsa de Valores de Nova York. Afinal, só esta primeira venda de ações, batizada de Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês), fez a empresa levantar mais de US$ 2 bilhões.

E, na avaliação da consultoria StartSe, mais unicórnios podem nascer no mercado brasileiro em breve. A consultoria fez até uma lista com dez startups que podem chegar ao US$ 1 bilhão. A relação é encabeçada pela Nubank, startup que revolucionou o mercado financeiro ao oferecer um cartão de crédito sem anuidade. Fundadora do aplicativo de delivery de comida iFood e da plataforma de tickets de eventos Sympla, a Movile também faz parte da relação, assim como o GuiaBolso, ferramenta que busca facilitar a vida financeira dos seus usuários e, ao contrário das outras startups, não nega a ambição de se tornar um unicórnio.

“Nossa última rodada de investimentos em outubro, que captou R$ 125 milhões e foi uma das maiores no mercado brasileiro de startups em 2017, nos deu fôlego para melhorar ainda mais o produto e transformá-lo no que internacionalmente é conhecido por hub financeiro. [...]. Por todo o nosso propósito e entrega real de melhora financeira na vida do usuário, acreditamos que temos potencial para nos tornarmos um unicórnio”, disse a startup, que já tem quase quatro milhões de usuários.

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