Veja como foi o sétimo dia de greve dos caminhoneiros

Presidente Michel Temer anunciou que o preço do óleo diesel terá uma redução de R$ 0,46 no período de 60 dias

Presidente Michel Temer, durante reunião de Monitoramento de Prioridades Estratégicas de AbastecimentoPresidente Michel Temer, durante reunião de Monitoramento de Prioridades Estratégicas de Abastecimento - Foto: Alan Santos/PR

Depois de 48 horas de negociações para conter a crise de abastecimento ocasionada pela greve dos caminhoneiros, o presidente Michel Temer anunciou nesse domingo (27) que o preço do óleo diesel terá uma redução de R$ 0,46 no período de 60 dias. Segundo ele, essa redução corresponde aos valores do Pis/Cofins e da Cide somados, conforme pleiteado pela categoria.

Desde a manhã do domingo, quando a greve completou sete dias, integrantes de diferentes ministérios da área de segurança e economia do governo ficaram reunidos no Palácio do Planalto com o presidente avaliando as propostas apresentadas pelos caminhoneiros.

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No pronunciamento, o presidente informou ainda que está editando uma medida provisória para cumprir a isenção da cobrança do eixo suspenso nos pedágios de todas as rodovias do país. Outras MPs serão assinadas para garantir aos caminhoneiros autônomos pelo menos dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento, além de estabelecer um preço mínimo de frete.

Mais cedo, os caminhoneiros haviam rejeitado acordo inicial proposto pelo governo de reduzir o valor do diesel em período inferior aos 60 dias. Diante da sinalização de que a paralisação continuaria, a presidência cedeu às reivindicações.

   Multas e solução pacífica

A Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou orientação às forças de segurança sobre aplicação de multas aos manifestantes que descumprirem a limitar do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando o desbloqueio imediato das rodovias federais e estaduais. A AGU autoriza ainda a Polícia rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança a adotaram as medidas necessárias para impedir o bloqueio das estradas.

Mais cedo, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, afirmou que o foco das ações em torno da greve dos caminhoneiros é “buscar a solução da crise sem conflitos”. Por meio de sua conta no Twitter, o general voltou a dizer que o bem-estar social deve prevalecer sobre “interesses pontuais” e “privilegiar o abastecimento de itens imprescindíveis”.

Sem combustível, o aeroporto de Brasília chegou a ficar em situação crítica

Sem combustível, o aeroporto de Brasília chegou a ficar em situação crítica - Crédito: Rodrigo Mello Nunes/iStock

   Aeroportos com operação limitada

Dez caminhões carregados com 550 mil litros de querosene de avião chegaram no início da noite do domingo ao aeroporto de Brasília. As reservas do terminal haviam se esgotado à tarde. Com o novo abastecimento, o nível dos reservatórios subiram para 18%, saindo do estado crítico e entrando no de atenção.

Entre os aeroportos administrados pela Infraero, nove ainda continuavam sem combustível até as 20h45: São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Ilhéus (BA), Campina Grande (PB), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Joinville (SC) e João Pessoa (PB).

Militares da Polícia do Exército reforçam segurança no entorno da Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

Militares da Polícia do Exército reforçam segurança no entorno da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) - Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

   Escoltas

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Força Nacional de Segurança escoltaram caminhões-tanque para levar combustível para o Aeroporto do Recife e outros serviços como transporte público no interior do Paraná. As equipes de segurança acompanharam a entrega de caminhões de gás para hospitais da cidade de Maringá, também no estado do Paraná.

   Apelos pelo fim da greve

Diferentes entidades emitiram nota manifestando preocupação com os desdobramentos da crise de abastecimento no País e pedindo o fim da paralisação dos caminhoneiros.

O SindiTelebrasil solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prioridade no abastecimento da frota de veículos utilizados na manutenção das redes e proteção da infraestrutura crítica das teles. De acordo com as prestadores de telecomunicações, os estoques de combustível estão “praticamente zerados”, o que pode levar à suspensão dos serviços de telefone e internet para o consumidor individual e para atividades essenciais, como hospitais, bombeiros e segurança pública.

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) alertou para o risco de falta de insumos e medicamentos e informou que há dificuldade de acesso dos médicos e funcionários para chegarem aos hospitais.

A associação afirmou que já faltam alimentos para dieta dos pacientes internados e ambulâncias estão paradas por falta de combustível. Tem ainda problemas com a entrega de roupa limpa e no recolhimento de lixo hospitalar. O estoque do banco de sangue também pode ser prejudicado.

A entidade alertou que, se não for adotada nenhuma medida imediata, a partir de amanhã muitos hospitais não conseguirão dar continuidade ao atendimento de pacientes.

Motoristas de guincho protestaram neste domingo na Esplanada dos Ministérios pelo fim dos impostos que incidem sobre o diesel

Motoristas de guincho protestaram neste domingo na Esplanada dos Ministérios pelo fim dos impostos que incidem sobre o diesel - Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

   Desabastecimento de alimentos

Produtores de aves, suínos e ovos entregaram uma manifestação ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no Palácio do Planalto, com relato dos problemas causados pelo bloqueios nas estradas, como o desperdício de alimentos e mortes de milhões de animais. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, a regularização no abastecimento de alimentos poderá levar até dois meses após o fim da greve dos caminhoneiros.

O grupo pediu ao governo federal uma "ação imediata" para desbloquear o tráfego de caminhões que transportam ração para os animais. As empresas do setor já somam mais de R$ 3 bilhões em prejuízos desde o início da paralisação dos caminhoneiros.

   Protesto

Um grupo de motoristas de guincho protestou no domingo à na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, pelo fim dos impostos que incidem sobre o diesel, entre eles o PIS/Cofins. Mais de 20 caminhões e outros veículos de apoio fizeram uma carreata em volta do Congresso Nacional.

Segundo um dos mobilizadores do movimento, a manifestação não ocorre somente em defesa dos caminhoneiros que paralisaram as atividades há sete dias, mas por toda a sociedade.

   Congresso Nacional

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), convocou uma sessão extraordinária para a segunda-feira (28) à tarde para tentar votar o projeto que trata da fixação de preços mínimos para os fretes em todo o País.

A aprovação do projeto está entre as reivindicações dos caminhoneiros. A proposta prevê a adequação de preços de acordo com tabela elaborada semestralmente por órgão competente, com valores por quilômetro rodado, por eixo carregado e conforme a carga.

 

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