ABCC e Pró-Criança, a linha de frente do judô do Estado

Responsáveis por resgatar jovens em risco, instituições surpreendem com domínio e revelação de talentos

Movimento Pró-Criança desponta com resultados expressivos até de nível internacional.Movimento Pró-Criança desponta com resultados expressivos até de nível internacional. - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Vencer na vida através do esporte. Este é o sonho dos atletas do Movimento Pró-Criança e da Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC). Duas organizações não-governamentais que juntas vêm dominando o judô de base no Estado. Em 2019, conquistaram 44 medalhas apenas na primeira fase do Campeonato Pernambucano. Destas, 21 foram de ouro. Números impressionantes que as colocam como campeã e vice, respectivamente.

Há alguns anos, o feito era inimaginável, uma vez que academias e clubes privados "mandavam" na competição. Além de brilharem nos tatames, as instituições também são responsáveis pela inclusão social de crianças e adolescentes carentes da Região Metropolitana do Recife (RMR).

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O Pró-Criança e a ABCC partilham das dificuldades da falta de patrocínio e da limitação de recursos e estrutura. As entidades se sustentam através de doações realizadas pelo Projeto Clarear, uma parceria da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) com entidades filantrópicas que visa ajudar crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade. Qualquer pernambucano pode aderir à iniciativa acrescendo até R$ 1,99 na conta de energia.

As entidades dividem conhecimento em treinos e ações conjuntas, que têm formado os melhores judocas de Pernambuco. Em janeiro deste ano, as duas equipes realizaram a pré-temporada juntas, e o resultado da parceria foi visto nas competições. 

"Temos que traçar algumas metas. Planejamos algumas competições como prioridades, porque, infelizmente, não temos condições de ir para todas. Avaliamos quem está se destacando para dar as oportunidades. O custo das despesas é alto e temos que ir dosando", afirmou Anderson Felipe, professor de judô da ABCC. "Estamos fazendo história. Mostrando que, independente dos obstáculos, nossa garotada se supera. Apesar de todas as dificuldades, vamos sempre dar um jeito de apoiar nossos atletas em busca dos objetivos", completou Marcílio Félix, sensei do Pró-Criança.

No Pró-Criança, em meio às dificuldades, o esporte que integra a grade de atividades da organização desde 2005 vem dando frutos. Entre os mais de 300 atletas, de seis a 20 anos, que treinam no projeto, duas adolescentes são tidas como exemplo. É o caso de Luciana Silva, 16, e Rebeka Carolayne, 14. Campeãs regionais, nacionais e sul-americanas, elas são as únicas judocas do Estado a compor a seleção brasileira da modalidade na categoria sub-18.


Pelo time nacional, inclusive, Rebeka foi campeã europeia em março, na Alemanha. No último final de semana, a dupla esteve em Portugal para a disputa de mais uma etapa do circuito europeu, disputada em Coimbra. Enquanto Rebeka ficou com bronze na categoria sub-18 até 40 kg, Luciana lesionou o cotovelo esquerdo e não pôde seguir na competição, na sub-18 até 44 kg.

"Rebeka e Luciana são as nossas principais atletas. Hoje elas estão num patamar um pouco acima dos outros, já estão disputando competições internacionais. Ter elas como exemplo faz com que o nosso pessoal continue treinando duro para chegar no mesmo nível delas. Isso mostra como o trabalho realizado por nós é sério. Desde 2016 estamos se mantendo no topo do ranking Estadual", destacou Marcílio.

Na ABCC, o judô é o carro-chefe de uma instituição que ainda conta com karatê e taekwondo. Cerca de 100 jovens participam diariamente das atividades da ONG. A vice-liderança no ranking do Estado demonstra a evolução gradativa na modalidade mesmo com poucos recursos. Segundo o professor Anderson Felipe, se houvesse ajuda de terceiros o trabalho seria ainda mais bonito. "Poderíamos melhorar muitos fatores. Trazer mais jovens para nosso projeto, dar uma ajuda de custo, oferecer transporte para as crianças, e até uma alimentação ainda melhor, uma vez que muitos só comem aqui na ABCC", finalizou.   

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