Cada um com sua (des) razão para o tumulto no clássico

Uma sequência de erros leva ao caos que atingiu parte das arquibancadas do estádio da Ilha do Retiro

Sport x Santa Cruz, na Ilha do RetiroSport x Santa Cruz, na Ilha do Retiro - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

O tumulto que deixou mais de 60 torcedores feridos, na Ilha do Retiro, nesta quarta-feira, expõe mais uma vez o lado negativo do futebol. Uma sequência de erros leva ao caos que atingiu parte das arquibancadas do estádio.
Primeiro, um torcedor do Santa Cruz consegue entrar com um sinalizador na praça esportiva, driblando a revista da Polícia Militar. Já nas arquibancadas, resolveu acender o artefato.
Os policiais que, teoricamente, deveriam ser treinado para fazer uma abordagem mais inteligente, tomando o artefato e detendo o torcedor, resolvem agir com truculência, provocando uma avalanche nas arquibancadas.
O corre-corre provoca quedas, feridos e mais desespero, pois muitos torcedores tentam encontrar um local para escapar, buscando romper o alambrado. Aí, a PM comete outro erro ao tentar evitar a invasão de gramado (neste caso necessária), jogando spray de pimenta em pessoas desesperadas.
Mas a força é, quase sempre, insuficiente para conter uma multidão desesperada e alimentada pelo instinto de sobrevivência. Assim, os torcedores acabam entrando no campo e parte do gramado da Ilha do Retiro virou um acampamento de feridos, enquanto jogo transcorria, como se nada estivesse acontecendo.
Nesta quinta-feira, dia seguinte, nós vamos procurar repercutir o caso e não vemos autocrítica de nenhuma das partes, como se os erros fossem provocados apenas pelos outros.
O comandante do Batalhão de Choque defende a sua tropa e diz que não houve excessos, contrariando as imagens do tumulto, quando poderia reunir seus oficiais para uma avaliação, a fim de estabelecer normas de atuação menos traumáticas. Afinal, era apenas um torcedor que deveria ser abordado.
O presidente do Santa Cruz, num casuísmo ímpar, não tece nenhuma crítica ao torcedor que levou o sinalizadorr/estopim da confusão para o estádio, preferindo sugerir que o próximo clássico entre as duas equipes seja realizado em "campo neutro". O diretor do Sport, Guilherme Beltrão, aparece com outra ideia "brilhante", sugerindo um "jogo de torcida única", naturalmente a do clube rubro-negro, que não se envolveu no tumulto.
Assim, com cada um puxando a sardinha para sua brasa, fica difícil discutir seriamente a organização do futebol. Enquanto isso, os marginais das organizadas continuam soltos e, a esta altura, já planejando o que vão fazer no próximo Clássico das Multidões.

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