Campeão mundial, analista municia Timbu para 2020

Profissional que integrou comissão técnica da seleção sub-17 ajuda a formatar Timbu para próxima temporada

Chefiado por Anderson Borges, Centro de Inteligência atende ao futebol profissional e à baseChefiado por Anderson Borges, Centro de Inteligência atende ao futebol profissional e à base - Foto: Léo Lemos/Náutico

O analista de desempenho exerce funções indispensáveis no futebol praticado na atualidade. Através dele, o técnico é capaz de absorver mais informações do próprio time e do adversário, além de desenvolver redes expandidas de observação de jogadores. Coordenador do departamento de análise de desempenho do Náutico, Anderson Borges conversou com a Folha de Pernambuco sobre o cargo no Timbu, relação com o técnico Gilmar Dal Pozzo, composição do elenco de 2019 e da próxima temporada e a experiência com a seleção brasileira campeão do Mundial Sub-17, há pouco mais de uma semana.

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Quando você decidiu se aprofundar no aspecto científico do futebol?

Trabalhei no futsal há uns cinco anos, mas em 2013 decidi entrar na análise de desempenho. Fiz um curso de extensão para treinadores, visando networking e como os profissionais trabalham. Foi ali que comecei a entender a área e a perceber que era essencial para a evolução do futebol.

Qual o papel do analista de desempenho do Náutico?

Eu vim ao Náutico no final de 2017, quando estava na Chapecoense, a convite do executivo do clube (Ítalo Rodrigues), que me mostrou o planejamento que a nova gestão tinha para esse setor. Além de investir muito, queriam dar a importância necessária. Entendendo essa mentalidade de Ítalo, que casava com a do presidente Edno e de Diógenes (Braga), compreendi o projeto e o que eles procuravam. A gente faz captação da base e o elo com o profissional, além de observar o mercado. A quantidade da equipe ainda não é ideal, mas atende bem e estamos perto do que se imagina.

Alguns jogadores, como Álvaro, tiveram oportunidades no andamento da Série C e responderam acima do esperado. Vocês sugeriram ou participaram de alguma maneira nas mudanças promovidas por Dal Pozzo?

Uma coisa muito importante é a característica do treinador. A gente tinha um trabalho a longo prazo com Márcio Goiano, que é um baita profissional, mas possuía uma mentalidade de jogo diferente. Alguns atletas que não cabiam no jogo dele - e tínhamos essa consciência - cabiam na mentalidade de jogo de Gilmar. Hoje temos um perfil desenhado de jogadores, isso facilita para qualquer treinador que vem pra cá. Isso é determinado por Ítalo e pelo nosso departamento. Foi a prova da nossa equipe este ano: o perfil do elenco casou com o que Márcio queria, depois veio Gilmar e tinha peças para ele também. Analisamos bem Álvaro, e trouxemos depois da chegada de Gilmar. Era um cara que a gente precisava no elenco, um extremo com mais imposição física. E fez a diferença.

Como foi realizada a montagem do elenco que alcançou o acesso, sem muitos recursos para contratar?

Se você pegar o elenco que começou o ano, no mínimo 15 atletas permaneceram. Isso foi fundamental para conseguir o êxito neste ano. Em relação à busca por novos jogadores, apareceram muitos oferecidos. Muita gente recrimina isso, tornando necessário ter banco de dados gigantesco, mas não é uma coisa ruim. O caso de Jean Carlos (meia) é um desse. Não foi oferecido, mas Ítalo buscou, queria e teve oportunidade de acertar. Tem casos que é assim. Nem sempre o departamento de análise prospectou alguém, mas tudo passa pela gente, inclusive quem deu errado.

Qual o impacto da continuidade de Dal Pozzo na construção da equipe para 2020?

Facilita muito, porque além de termos o nosso perfil, tem a opinião muito ativa de Gilmar. É um cara que acompanha tudo, baita estudioso do futebol. É difícil aparecer um atleta que ele não conhece. Quando não, ele pede um material pra assistir. Só nesse último mês, enquanto eu estava fora, avaliamos mais de cem atletas. Como temos um orçamento curto, precisamos errar o mínimo possível. Impossível não errar no futebol, mas o erro deve ser minimizado.

Como foram os últimos anos na seleção brasileira e participar do Mundial Sub-17?

A minha primeira convocação foi em março de 2017, para uma competição sub-16 na França. A partir daí, participei do processo no sub-15, que é essa geração 2002/2003. Em 2018, fiquei responsável pela análise do sub-17 e estive na preparação do Sul-americano deste ano, quando não classificamos, mas tivemos a vaga na Copa do Mundo por sermos país-sede. Ainda bem que o coordenador, Branco (ex-jogador), teve consciência do trabalho bem feito e manteve a comissão técnica. Foi tudo planejado da melhor forma possível e culminou no resultado.

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