Confira detalhes do julgamento do caso Lucas Lyra

Em luta diária pela vida, jovem clama por punição para acusado de disparo, em julgamento realizado nesta segunda-feira (3)

Lucas LyraLucas Lyra - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Acontece, nesta segunda-feira (03), na Primeira Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, o júri popular do réu confesso de ter atirado contra a nuca do jovem Lucas Lyra, no dia 16 de fevereiro de 2013. A sessão teve início por volta das 9h15 com a composição do conselho do júri, mediante sorteio. Na sequência, a vítima foi ouvida, gerando comoção no plenário. Apesar das suas limitações, Lucas fez questão de participar desse momento tão aguardado por ele e pela sua família. Foi conduzido até o fórum de ambulância e posicionado no plenário de maca, ao lado de técnicos e do irmão Joel, de quem não soltou a mão. Por conta da deficiência auditiva desenvolvida por Lucas, Joel o auxiliou a compreender as perguntas feitas pelo presidente do júri, o magistrado Ernesto Bezerra Cavalcanti, e do promotor André Rabelo. Falou pouco, mas impactou ao dizer que viveu até aquele dia. “Desde então eu sobrevivo. É uma batalha diária”, disse. Ao ser perguntado pelo juiz se tinha consciência do que estava acontecendo, foi categórico. “É o júri popular do homem que atirou em mim.” Por conta das dores que sente, Lucas deixou o local logo depois. Na saída, Joel apontou para o réu e o mostrou a Lucas, que disse ser estranho estar no mesmo local que ele.

Na sequência, foi ouvida a perita Dulcy Maria Pereira de Azevedo, plantonista no dia do ocorrido, arrolada pelo advogado de defesa, o criminalista João Vieira Neto. Ela falou de detalhes técnicos da perícia feita na camisa usada por Pedro Henrique, primo de Lucas. Disse ter encontrado sangue humano, mas não resquícios de chumbo, o que acabou sendo utilizado pela promotoria para contestar a tese da defesa de que José Carlos Feitosa Barreto dava coronhadas com a arma na cabeça de Pedro Henrique quando a mesma disparou acidentalmente em Lucas. “É impossível disparar um 38 sem puxar o gatilho. É preciso força, inclusive, nem todo mundo consegue”, disse o promotor.

No interrogatório, o réu disse não ter porte legal de arma, nem autorização pra usá-la durante o serviço, mas portava um revólver calibre 38. Segundo o próprio, suas atribuições na função de controlador de tráfego era impedir que usuários pulassem a catraca e, em casos de vandalismo, encaminhar o coletivo para a unidade de polícia mais próxima. Não tinha formação como segurança. Caiu em contradição algumas vezes. Disse ter jogado a arma no açude de Apipucos, mas no depoimento prestado anteriormente dizia ter feito isso em um córrego perto de casa, no bairro de Nova Descoberta. Também disse que ao ver as imagens não conseguia identificar Lucas. Mas, em seguida, comentou que nas cenas era possível ver o jovem se aproximando.

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A sessão está em intervalo e retornará às 13h40, com a argumentação da defesa, que não pede a absolvição do réu confesso, mas a desclassificação do tipo penal de tentativa de homicídio qualificado, por não ter dado chances de defesa a Lucas, atingido na nuca, para lesão corporal. “Se não fossem as imagens do dia, da câmera do local, esse crime jamais seria esclarecido. A covardia dele começou ao sair de casa armado, seguiu ao utilizar a arma contra jovens que não o ameaçavam e continuou quando ele não assumiu a responsabilidade”, disse o promotor André Rabelo, citando o fato de o agressor ter negado ligação com o crime em depoimento inicial até que o próprio se reconhecesse nas imagens apresentadas pelo delegado. “Estava perdido, não sabia o que fazer, nunca tinha me envolvido com nada assim antes. Não disse ao advogado e nem à minha esposa”, admitiu. Questionado pelo conselho do júri onde teria adquirido a arma, disse ter comprado a uma pessoa com a qual não tem mais contato.

O veredicto será definido pelo conselho do júri. E a sentença calculada pelo juiz. Lembrando que a pena deverá ser reduzida pelo fato de a vítima ter sobrevivido e de o agressor ser réu primário. Independente do resultado, ele não deverá ser preso nesta segunda. Isso porque cabe recurso de ambas as partes e, por ter aguardado o julgamento em liberdade, ele tem direito de permanecer em liberdade até a segunda instância, que deve demorar de seis meses até um ano para ser realizada.

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