Geração preciosa do tênis brasileiro em lapidação

País mais bem representado no top 50 juvenil, que tem pernambucano em destaque, Brasil colhe frutos de trabalho na descoberta de talentos

João Lucas Reis, tenista pernambucanoJoão Lucas Reis, tenista pernambucano - Foto: Divulgação

Na atualização mais recente do ranking mundial juvenil masculino de tênis, o Brasil é o país com o maior número de representantes no top 50. São sete, sendo o mais bem colocado o pernambucano João Lucas Reis, de 17 anos, em 32º lugar. Na sequência, aparecem o paulista Mateus Alves (34º), o brasiliense Gilbert Klier (35º), o paranaense Thiago Wild (41º), o mineiro João Ferreira (45º) e os paulistas Igor Gimenez (46º) e Matheus Pucinelli (47º). A ascensão ocorre após três torneios realizados no País: Banana Bowl (RS e SC), Internacional Juvenil de Porto Alegre e Copa Paineiras (SP). O cenário merece destaque pelo ineditismo, mas, sobretudo, pelo fato de o berço e as potências do esporte estarem na Europa. Essa evolução pode ser considerada fruto do trabalho de centros de excelência focados na descoberta e lapidação de talentos, com destaque para o Instituto Tênis (SP) e o Tennis Route (RJ), que juntos respondem por seis dos sete listados acima.

“O Brasil vai conseguir força para, talvez, colocar até 10 tenistas no 100 profissional quando houver uma união geral de todos os centros que hoje desenvolvem o tênis, além da parceria com a Confederação Brasileira (CBT) e o empresariado. É usar a Lei de Incentivo, fazer planejamentos e unir forças para aproveitar a geração que surge. Não pode um querer atrapalhar o outro, ficar com vaidades”, destacou o ex-jogador e diretor técnico do Squash Tennis Center, Davi Barros.

Um trabalho integrado é primordial não só para a renovação, mas para a evolução dos atletas, pois quanto maior o número de tenistas em alto nível, maior a competitividade. O diferencial dos centros é oferecer suporte multidisciplinar, importante para atenuar as dificuldades do processo de transição para o profissional, pois não adianta ser extremamente técnico se não tiver estrutura física para suportar a exaustiva rotina. E também não vale ter corpo e técnica sublimes se não houver equilíbrio emocional para administrar as agruras do esporte.

Desafio
De 2004 a 2016, o Brasil terminou as temporadas com no mínimo dois atletas no top 100 juvenil - chegou a ter quatro em 2010 e 2011 e cinco em 2013. Dos 28 atletas top 100 juvenil nesse período, somente dois aparecem atualmente entre os 150 melhores do mundo - Thomaz Bellucci, 31º melhor juvenil em 2004 e atual 133º da ATP, e Thiago Monteiro, 7º juvenil em 2011 e atual 124º. Três estão entre a 150ª e a 400ª posição, quatro entre a 401ª e a 600ª, oito entre a 601ª e a 1000ª e dois abaixo disso. Nove deles sequer aparecem na lista, por não apresentarem pontuação suficiente ou terem desistido da carreira, como fez o alagoano Tiago Fernandes, primeiro brasileiro campeão de um Grand Slam Juvenil, o Australian Open 2010, aposentado precocemente aos 21 após lutar contra lesões e não conseguir engrenar no circuito.

O suporte dos centros pode ser um caminho para mudar essa escrita, visto que investir na modalidade não é barato e ter uma estrutura de ponta disponível conta muito. Já a CBT atua com ajudas de custo para os técnicos os acompanharem em torneios fora e os insere no circuito profissional como apadrinhados dos principais atletas nacionais. Eles vão a grandes eventos, como Masters 1000 e Grand Slam, para conhecer a dinâmica e podem até a bater bola com tops mundiais. "É uma experiência que todo jogador que está na fase de transição deve passar, me deu muita bagagem, e espero que o apoio continue para esse ano", disse Mateus Alves.

É necessário, contudo, dosar o nível de expectativa até para não prejudicar a evolução desses jovens, ainda apostas. “Eles saem de uma situação na qual eram os melhores do País e até do mundo para se deparar com mil jogadores de várias idades e que jogam muito. É bem mais duro, tem de ter a cabeça forte, pois vão perder mais do que quando juvenis, tem de dobrar a dedicação e ter resiliência para conseguir lidar com essa fase dos 18 aos 20 anos que é parte do processo”, destacou Davi, ressaltando que, atualmente, se demora mais para chegar no top 100. “Não tem um estudo comprovado, mas, salvo exceções que realmente são fenômenos, a média de entrada no top 100 tem sido 25 anos. É uma estrada muito longa de desenvolvimento físico, técnico e mental.”

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