Lutador morre após evento de kickboxing em São Paulo

Rafael Beiton, de 31 anos, teve um mal súbito e foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico após lutas

Rafael Beiton morreu após participar de competiçãoRafael Beiton morreu após participar de competição - Foto: Reprodução/Facebook

O lutador de kickboxing Rafael Beiton, de 31 anos, natural de São Paulo, mas residente no Recife, morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico após participar do torneio Ichiban, realizado no último final de semana, em Mogi das Cruzes/SP, com a chancela da Confederação Brasileira de Kickboxing e a presença de mais de 200 atletas. Rafael Beiton fez duas lutas no sábado (9) e outras duas no domingo (10). No último combate, inclusive, já aparentava não estar bem.

Mesmo assim, ele insistiu em participar do confronto apesar de não estar em condições de competir, conforme relata o lutador Carlos Gabriel, amigo da vítima e que também participou do torneio. No duelo, que valia o título da categoria (81,4kg), Rafael sofreu bastante. "Ele levou muita porrada na cabeça, depois sangrou o nariz", explica. De acordo com Carlos, Beiton não respondia mais aos estímulos. "Ele parecia demente, que estava lutando no automático, aéreo, não estava falando direito e percebi o olhar dele mudando".

Na decisão, os lutadores não usavam capacete, ao contrário do que aconteceu nos embates que antecedem a decisão. "Este campeonato que fomos lutar determinava o uso do capacete até a final. Rafael fez três lutas com capacete, mas ele não protege praticamente nada. É só pra dizer que tem", justifica Carlos Gabriel, que era treinado por Beiton e, assim como fazia o amigo, dá aulas em academias do Recife.

Após encerrada a luta, Rafael Beiton desceu do ringue cambaleando e dirigiu-se ao banheiro. "Lá ele já estava passando mal. Teve convulsão, depois começou a sangrar e virando o olho", relata Carlos. Socorrido, a vítima chegou ao Hospital Luzia de Pinho Melo sem estímulos neurológicos e foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva. Rafael Beiton foi diagnosticado com uma hemorragia no cérebro e, após uma intervenção cirúrgica, veio a óbito na noite de segunda-feira.

Em entrevista à Folha, Carlos Gabriel criticou a organização do Ichiban pela falta de sensibilidade com os atletas em relação à programação das lutas. "Não sabíamos que haveria tão pouco tempo de descanso entre uma luta e outra. Rafael lutou uma entre 10h30 e 11h, e a final começou às 11h10 do domingo. Pedimos para adiar o confronto, mas a solicitação não foi atendida e o combate ocorreu normalmente", reclama o lutador. "A última luta foi que estourou tudo, o corpo dele não recuperou o suficiente, não aguentou o estresse", completou.

Ao site OP9, porém, a organização do Ichiban informou em nota que o evento "seguiu todas as exigências nacionais e legais”. “Havia ambulância com socorrista, enfermeiros e médico lá. A CBKB possui seguro para os eventos e já acionamos”, acrescentou o promotor do torneio, Fábio Yoshinaga.

O corpo de Rafael Beiton será velado esta quarta-feira, a partir das 11h, no cemitério de Santo Amaro. O enterro acontece no mesmo local, às 14h. Lutador, que chegou ao Recife com dez anos de idade, deixa três filhos (dois meninos e uma menina).

Veja também

Corinthians e Palmeiras chegam à final do Paulista com jovens em busca de protagonismo
Campeonato Paulista

Corinthians e Palmeiras chegam à final do Paulista com jovens em busca de protagonismo

Chiquinho deixa o DM Coral, mas não deve ser opção para a final do Estadual
Santa Cruz

Chiquinho deixa o DM Coral, mas não deve ser opção para a final do Estadual