O jovem Sette Câmara e os meninos das artes marciais

Filho do presidente do Atletico Mineiro consegue R$ 13,6 milhões de estatais para alavancar sua carreira no automobilismo. No Recife, jovens praticantes de artes marciais pedem migalhas em sinais de trânsito para viajar

Garoto vai a semáforo pedir contribuição para competirGaroto vai a semáforo pedir contribuição para competir - Foto: Brenda Alcântara

O jovem Sérgio Sette Câmara Filho, de apenas 20 anos, tornou-se terceiro piloto da escuderia McLaren, uma potência do automobilismo, ancorado por gordas verbas estatais. Uma ONG é responsável por captar investimentos para a carreira do jovem e só em dinheiro público obteve cerca de R$ 13, 6 milhões para alavancar o projeto de início de carreira do piloto mineiro. A outra parte da verba veio do setor privado, cerca de R$ 12,6 milhões. Por trás dele, uma forte influência política - o pai é presidente do Atlético Mineiro, clube de massa. Só da Caixa Econômica, Sette Câmara obteve R$ 6 milhões, de acordo com reportagem do Jornal Folha de S. Paulo publicada esta semana.

Fico imaginando aqui o vaivém de um cidadão que deseja obter um financiamento de R$ 200 mil para comprar uma casa própria, os juros cobrados pelo banco estatal, as idas e vindas para conseguir a documentação exigida, os perrengues nas filas de atendimento.

Neste fim de semana, no nosso caderno FolhaMais, a Editoria de Esportes da Folha de Pernambuco conta a história de jovens praticantes de artes marciais que estão recorrendo a campanhas nos sinais de trânsito do Recife para conseguir dinheiro a fim de viajar e competir fora do Estado, são atletas treinados por professores abnegados, que reúnem garotos em bairros da periferia do Recife para tentar educá-los por intermédio da prática esportiva, da disciplina das ações que o esporte oferece.

A distância entre eles e Sette Câmara Filho poderia ser apenas um pai influente, mas é muito mais do que isso. É uma estrutura viciada e carcomida que trabalha apenas para ajudar alguns, que não privilegia a maioria, que contempla os "abençoados" por um sistema político.

Assim como já atingiu as empreiteiras, os governos estaduais, a Justiça tem que chegar ao esporte, para investigar os contratos, os patrocínios dos bancos estatais, os esquemas das secretarias de esportes, sempre usadas por políticos para obter votos. A mão pesada da Justiça também precisa chegar nas federações para investigar as mesadas que os presidentes dessas entidades recebem para manter o esquemão da CBF.

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