África se prepara para confinamento pelo coronavírus

Cerca de 30 casos foram declarados oficialmente desde 10 de março na República Democrática do Congo

CoronavírusCoronavírus - Foto: Tomas Anderson/Agência Senado

A África está se preparando para o confinamento, já em vigor em Ruanda e Maurício e impôs nesta segunda-feira em Lubumbashi, capital econômica da República Democrática do Congo (RDC), para enfrentar o coronavírus em um contexto material e cultural desfavorável.

A atividade em Lubumbashi - sede da economia mneradora da RDC - e seus quatro milhões de habitantes pararam nesta segunda-feira por 48 horas, por ordem das autoridades provinciais. O motivo: dois passageiros de Kinshasa deram positivo para o Covid-19 quando saíram de um voo regular com 77 pessoas.

Cerca de 30 casos foram declarados oficialmente desde 10 de março na RDC - com duas mortes - todos na capital de 10 milhões de habitantes.

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Quatro deputados pediram para "colocar Kinshasa em quarentena e isolá-la do resto do país" para impedir a propagação do vírus no território de 2,3 milhões de km2 e pelo menos 80 milhões de habitantes.

Uma reunião sobre o coronavírus está agendada para segunda-feira à tarde na presidência da RDC.

Na África Ocidental, os presidentes do Senegal, Macky Sall e a Costa do Marfim, Alassane Ouattara, podem anunciar novas medidas nesta segunda-feira, após a já adotada (fechamento de fronteiras e locais públicos, entre outros).

Com 67 casos anunciados oficialmente - sem mortes - o Senegal é um dos países da África Ocidental onde o coronavírus está mais presente.

Em Burkina Faso - com um total de 99 casos - as autoridades "contemplam cada vez mais um confinamento total da população em um período de duas a três semanas", segundo uma fonte de segurança.

Na África Central, o presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, anunciou restrições noturnas ao movimento das 19h30 às 06h00, que começaram a valer no domingo.

No vizinho Camarões (56 casos), o confinamento ainda está em debate. "Esperamos que não tenhamos que confinar o país inteiro", disse a ministra da Saúde Malachie Manaouda no domingo.

Ruanda (17 casos relatados) proibiu "movimentos não essenciais" desde sábado. "Duas semanas sem trabalho em uma cidade onde tudo é caro é uma sentença de morte", diz Alphonse, 29 anos, que trabalha em seu táxi.

Desde sexta-feira, os 1,3 milhão de habitantes das Ilhas Maurício, localizados a 1.800 km da costa leste da África, devem permanecer confinados em suas casas por 14 dias.

A Nigéria está tentando aplicar as medidas já em vigor, começando com a proibição de multidões.

"O que vamos comer, o que nossos clientes vão comer?", questiona Alice, uma fornecedora de frutas e legumes, indignada. "Pago (meus legumes) a crédito e agora não posso mais vendê-los. Precisamos sobreviver, não posso ficar em casa!", reclama.

"Na realidade, o confinamento parcial ou total corre o risco de ter efeitos desastrosos para o continente africano", avalia a famosa escritora camaronesa Calhixte Beyala, em sua página no Facebook.

"A população mais desfavorecida será a primeira vítima, eles morrerão de fome ou então seu corpo enfraquecido pela desnutrição, o que os tornará mais propensos a contrair a doença", disse.

"Precisamos encontrar estratégias de emergência para a África que melhor respondam às necessidades de nossos povos", conclui a escritora.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, decretou nesta segunda-feira um confinamento nacional de três semanas a partir de quinta-feira, para tentar conter a rápida propagação do novo coronavírus e anunciou que o exército patrulhará as ruas para fazer cumprir a quarentena.

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