Amiga diz que Raynéia ajudava a tratar feridos em protestos na Nicarágua

Estudante pernambucana Raynéia Gabrielle, natual de Vitória de Santo Antão, estudava medicina na Nicarágua e foi metralhada durante os violentos confrontos políticos que tomam conta do país

Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, nascida em Vitória de Santo AntãoRaynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, nascida em Vitória de Santo Antão - Foto: Reprodução / Facebook

A estudante de medicina pernambucana Raynéia Gabrielle Limametralhada e morta na Nicarágua na noite de segunda-feira (24) - não participava dos protestos, mas ajudava a tratar os feridos, assim como muitos companheiros de universidade, de acordo com uma amiga da estudante. A jovem conversou com a reportagem da Folha de Pernambuco, mas pediu para não ser identificada com medo da perseguição do governo. O crime ocorreu em meio aos intensos confrontos políticos que tomam conta do país. 

Raynéia nasceu no município de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, e estudava medicina na Universidade Americana (UAM) em Manágua, capital do país. A estudante pernambucana foi metralhada por paramilitares enquanto dirigia seu carro na noite da última segunda-feira (23).

Família
No Facebook, a irmã da vítima, Ketelly Lima, lamentou o ocorrido. "Mesmo sabendo que um dia a vida acaba, a gente nunca está preparado para perder alguém", desabafou na publicação. Ela ainda relata que a irmã, que estava na Nicarágua há seis anos, sempre pedia para ver fotos de sua sobrinha. "Ficam as lembranças para contar como foi sua vida e restam as saudades para lembrar a falta que você fará", postou.

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Massivas mobilizações estudantis foram realizadas no Dia do Estudante na Nicarágua, na última segunda-feira (23). Segundo a estudante amiga de Rayneia, o regime realizou uma mobilização à parte para provocar os estudantes, que só foi anunciada um dia antes, enquanto que a dos estudantes, que pedem a renúncia de Ortega e Murillo, foi divulgadas dias antes. "Eles retiraram violentamente os estudantes entrincheirados na Universidade Nacional Autónoma de Nicaragua (Unan). E a contramarcha partiu daí."

O incidente com Raynéia aconteceu perto da Unan, uma área com forte presença de policiais e paramilitares pró-regime. "Ela havia acabado de sair do hospital onde deu expediente e ia visitar o namorado, quando seu veículo foi metralhado por paramilitares por volta das 11h da noite de ontem [segunda]."

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