Bairros periféricos têm leitura incentivada pelas bibliotecas comunitárias

Pensando em desvendar a atuação das bibliotecas comunitárias no país, entre janeiro de 2017 e o segundo semestre desse ano, pesquisadores coletaram dados para pesquisa

Prêmio é destinado a novos escritoresPrêmio é destinado a novos escritores - Foto: Divulgação

Pensando em desvendar a atuação das bibliotecas comunitárias no país, entre janeiro de 2017 e o segundo semestre desse ano, pesquisadores coletaram dados em 15 estados e no Distrito Federal, para a pesquisa intitulada “Bibliotecas Comunitárias no Brasil: Impacto na formação de leitores”. O levantamento teve como amostra 143 bibliotecas, sendo que 92 dessas são integrantes da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC).

A pesquisa, que teve como intuito identificar, compreender e dar visibilidade ao papel que essas bibliotecas cumprem nos processos de formação de leitores, identificou que 86,7% desses espaços estão zonas rurais e 7% em áreas ribeirinhas. Outro dado coletado, é que 66,5% delas foram criadas por coletivos - grupos de pessoas do território e movimentos sociais.

Em relação aos profissionais que atuam nas bibliotecas comunitárias, a pesquisa apontou que os mesmos cumprem diferentes funções, entre elas: gestores, bibliotecários, facilitadores e mediadores de leitura. Além disso, é alto o índice de escolarização dos mediadores: mas de 90,2% têm ensino médio, ensino superior completo e pós-graduação.

Rodrigo Rocha Pita, é formado em Administração e coordena a Biblioteca Comunitária do Calabar, situada em Salvador. Assim como a maioria dos profissionais que atuam nas bibliotecas do país, Rodrigo tem várias funções dentro da mesma. “Eu também sou diretor financeiro da associação que administra a biblioteca, trabalho escrevendo projetos e sou o principal captador de recursos da instituição”, contou sorrindo. Por conta do trabalho realizado no Calabar, Rodrigo ficou conhecido como Rodrigo Calabar e se orgulha bastante disso.

A biblioteca comunitária do Calabar foi inaugurada em 2006 e faz parte das 143 bibliotecas que participaram do estudo coordenado pelos Grupo de Pesquisa Bibliotecas Públicas do Brasil, da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), do Centro de Estudos de Educação e Linguagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Centro de Cultura Luiz Freire (PE).

“Nossa biblioteca surgiu a partir de um grupo de jovens que realizava trabalhos comunitários dentro da comunidade do Calabar. Foi depois de uma ação que visava reformar uma biblioteca escolar, mas que não era aberta ao público, que pensamos na possibilidade de uma biblioteca comunitária para abraçar toda população do nosso bairro”, explicou o administrador.

A biblioteca do Calabar também faz parte das 92 integrantes da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC). E, por conta disso, recebe alguns incentivos e apoio. “Recebemos ajuda do Instituto C&A, da Fundação Itaú e também do governo e da prefeitura de Salvador”. Mesmo com essas ajuda, Rodrigo acredita que o apoio da população local é indispensável. “A comunidade sempre dá apoio aos eventos que fazemos. Além disso, 90% dos nossos livros vieram de doações”.

Em relação as bibliotecas e a comunidade, a pesquisa mostra que esses espaços precisam ser pensados para assegurar práticas de leitura compartilhada. E é dessa forma que pensa Rodrigo. “Essas bibliotecas têm um trabalho diferenciado quando diz respeito a mediação de leitura e enraizamento comunitário. Aqui, trabalhamos muito para que a comunidade sinta a biblioteca. É por esse motivo, que realizamos tantas ações. Queremos que a sociedade entenda que esse espaço pertence a ela”, conclui.

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