Cidade de São Paulo registra duas mortes por reação à vacina da febre amarela

Nos dois casos confirmados, as mortes teriam ocorrido por alguma deficiência imunológica que não foi detectada durante a triagem

Vacina para febre amarelaVacina para febre amarela - Foto: André Borges/Agência Brasília

Duas pessoas morreram na capital paulista por reação à vacina da febre amarela, segundo a secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Ao todo, seis mortes foram notificadas como supostas reações à vacina. Uma delas foi descartada, segundo a secretaria. Outras três ainda estão em investigação.

Nos dois casos confirmados, as mortes teriam ocorrido por alguma deficiência imunológica que não foi detectada durante a triagem. Um dos casos é de uma idosa de 76 anos, moradora de Ibiúna, que morreu no último dia 16, oito dias após receber a vacina. Ela foi à capital paulista se tratar da reação vacinal. A secretaria de Saúde não revelou a identidade da outra vítima.

Leia também:
Autorizado repasse de R$ 30 milhões para vacinação contra febre amarela no Rio
Número de mortes por febre amarela no estado do Rio sobe para cinco
Em São Paulo, pacientes invadem UBS por vacina de febre amarela
Febre amarela: Pernambuco realizará diagnóstico dos casos

Pessoas recém-vacinadas podem apresentar reações adversas. Dores no corpo, de cabeça e febre podem afetar entre 2% e 5% dos vacinados nos primeiros dias após a vacinação e podem durar entre 5 e 10 dias.

Mortes, no entanto, são raras: a secretaria estima que ocorra um caso a cada 500 mil vacinados. Na capital, 1,8 milhão de pessoas foram vacinadas (1,3 milhão somente na zona norte).

Na avaliação do médico infectologista Artur Timerman, as mortes, se de fato tiverem sido causadas por reação à vacina, não são motivo para que as pessoas deixem de se vacinar. "De forma alguma se contraindica a manutenção da vacinação de pessoas na cidade de São Paulo", afirma. "O risco da doença é muito maior do que os riscos da vacina".

Para o infectologista e professor da USP Esper Kallas, o número de mortes está dentro do esperado, em vista do grande número de pessoas vacinadas na capital paulista. "Não consigo ver uma situação diferente do que está acontecendo", diz. "Todas as vezes que você vacina milhões de pessoas, isso pode acontecer. Por isso, há um cálculo de custo benefício da vacinação".

"[A triagem] deveria ser um negócio mais criterioso? Deveria. Mas tem gente que omite informações, não fala o que está tomando", afirma o pesquisador.

Não há registro de febre amarela silvestre contraída na cidade de São Paulo. Desde janeiro de 2017, 23 casos foram confirmados na cidade (com 12 mortes até o momento), todos importados de outros locais -10 casos vieram de MG, e outros 13 do interior de SP (um de Monte Alegre do Sul, oito de Mairiporã, três de Atibaia e um de Caieiras), segundo a secretaria municipal de Saúde.

Veja também

Brasil terá maior fábrica de vacinas da América Latina
Vacina

Brasil terá maior fábrica de vacinas da América Latina

Senado aprova uso de recursos para compra de máscaras e álcool
notícias

Senado aprova uso de recursos para compra de máscaras e álcool