Começa no Recife o julgamento do feminicídio de operadora de telemarketing

Maria da Conceição foi assassinada pelo ex-companheiro, Lenildo Félix, no dia 5 de setembro de 2016

Júri popular do caso de feminicidio  praticado por Lenildo Félix em 2016Júri popular do caso de feminicidio praticado por Lenildo Félix em 2016 - Foto: Alexandre Aroeira / Folha de Pernambuco

Mais de dois anos após o crime, começou, na manhã desta quinta-feira (23), no Recife, o júri popular do assassinato da operadora de telemarketing Maria da Conceição da Silva, 37 anos, ocorrido em setembro de 2016 no bairro da Linha do Tiro, na Zona Norte da cidade. O acusado do feminicídio é o motorista Lenildo Félix, 51 anos, ex-companheiro de Maria da Conceição.

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O crime aconteceu na casa onde o casal morava, na Linha do Tiro. Sem aceitar o fim do relacionamento, Lenildo matou a Maria da Conceição com três tiros de revólver - um deles a atingiu na cabeça. Após o feminicídio, segundo parentes da vítima, Lenildo se feriu e se fingiu de morto, mas, ao ser socorrido, os policiais militares perceberam a farsa e o prenderam depois do atendimento médico.

“A gente deseja que seja feita a justiça, que ele pague pelo crime que ele cometeu, que ele seja condenado com a maior pena possível”, afirmou a irmã da vítima, Lucineide Bezerra, 44 anos, à entrada do julgamento, que se realiza no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. O julgamento é presidido pela juíza Gisele Vieira de Resende, e tem o conselho de sentença formado por quatro mulheres e três homens.

De acordo com o depoimento de Jaqueline Bezerra, também irmã da vítima,  Lenildo costumava agredir fisicamente Maria da Conceição e a dopava para estuprá-la. Ela contou que, no dia do crime, a filha mais nova do casal estava em casa quando Lenildo chegou e a mandou descer - a menina foi para a casa da avó, que ficava no andar térreo. Em seguida, ouviram-se tiros, e a menina, que na época tinha cinco anos, foi a primeira a ver a cena do crime. 

Lucineide Bezerra também referendou o temperamento ciumento e possessivo de Lenildo. "Ele costumava dizer 'Se não é minha, não é mais de ninguém'", afirmou. Mas, segundo familiares da vítima, apesar das ameaças, Maria da Conceição nunca prestou queixa na polícia contra Lenildo.

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