Contra a gripe, Arquidiocese de Olinda e Recife pede menos contato nas missas

Orientação é não dar as mãos no Pai-Nosso e não dar o abraço de paz. Medida visa evitar a proliferação dos vírus H1N1 e H3N2

Missa na Igreja CatólicaMissa na Igreja Católica - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

A fim de evitar a proliferação do vírus da gripe, a Arquidiocese de Olinda e Recife pediu que as paróquias evitassem o contato físico dos fiéis durante as missas. A carta de recomendações foi liberada depois que a H1N1 causou uma morte em Pernambuco e pede até que a oração do Pai-Nosso seja feita sem as mãos dadas.

“Considerando que todos têm responsabilidade de evitar situações e circunstâncias que facilitem o contágio, o arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, solicita às paróquias que tomem as seguintes medidas, até mandar dizer o contrário: 1) Evitar o aperto de mão durante a acolhida aos fiéis; 2) Não dar as mãos ao rezar o Pai-Nosso; 3) Omitir o abraço da paz; 4) Distribuir a comunhão somente sob uma espécie e diretamente nas mãos, e o fiel comungar diante do ministro”, diz a carta, publicada neste sábado (27).

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Apesar de polêmicas, as recomendações já foram adotadas em muitas paróquias. Na missa realizada na tarde deste domingo (29) Basílica do Sagrado Coração de Jesus, na Boa Vista, área central do Recife, por exemplo, ninguém deu as mãos na hora do Pai-Nosso. “Em tempos de vírus abundantes, é uma medida saudável evitar essas ações, embora elas façam parte do ritual católico”, disse o historiador Ricardo Luiz da Silva, de 54 anos, que não estranhou a medida na missa de ontem à tarde. “Podemos confraternizar de outra forma”, explicou.

A engenheira Kelly Feitosa, por sua vez, se disse contra a medida. “Não tem nada a ver. E isso pode acabar com esta tradição para sempre”, reclamou, dizendo que é possível evitar a doença de outras formas.

Na carta, Dom Fernando Saburido reforça que também é preciso seguir as recomendações sanitárias como a correta higienização das mãos e o uso de lenços descartáveis na limpeza nasal na luta contra a gripe. Procurada pela reportagem, a Arquidiocese de Olinda e Recife disse ainda que esta não é a primeira vez que se pede isso às paróquias. No ano passado, já foi feito o alerta.

Morte
A infecção pelo H1N1 causou uma morte no Recife na semana passada - o primeiro caso fatal registrado no Estado desde o ano passado. A vítima foi um homem de 45 anos que estava internado há quase dez dias no Imip para tratar um quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). A Unidade de Vigilância Sanitária do Recife afirma, porém, que os casos de Srag diminuíram neste ano. Até o último dia 14, foram 89 registros, número 53,9% menor que o do mesmo período do ano passado. Também houve, no entanto, sete notificações de H1N1 em pacientes com adoecimento leve (síndrome gripal).

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