Criatividade em respeito ao pedestre no bairro do Espinheiro

Grupo não identificado disponibilizou placas de sinalização para auxiliar as pessoas na travessia de um cruzamento no bairro, entre as ruas do Espinheiro e a Santo Elias

Iniciativa ganhou a aprovação de moradores e comerciantes da áreaIniciativa ganhou a aprovação de moradores e comerciantes da área - Foto: Rafael Furtado

Quem passar pelo cruzamento das ruas do Espinheiro com a Santo Elias, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, irá se deparar com uma situação no mínimo curiosa. Com uma pitada de bom humor e criatividade, placas de sinalização foram colocadas próximo à faixa de pedestres que há na área, bem na altura do bar do Vagão.

A alternativa, embora de autoria ainda desconhecida, foi um meio encontrado para chamar a atenção dos motoristas que, mesmo sabendo da existência de uma faixa de segurança, ignoram sua principal função: dar preferência aos pedestres.

Lá, a dificuldade na travessia também ganha vez pela ausência de um semáforo - anseio antigo dos moradores locais. Inclusive, a iniciativa, aponta a maioria dos moradores, acende a discussão de que é possível, sim, estimular a educação no trânsito por meio de métodos simples.

A Folha de Pernambuco esteve no local e constatou que quem passa pelo cruzamento, de fato, está compartilhando da ideia e, o mais importante, o propósito pelo qual as placas foram colocadas tem surtido efeito. Principalmente, em horários de maior movimento de carros. "Achei muito boa porque as placas obrigam o motorista a perceber que o pedestre também faz parte do trânsito", avaliou o publicitário Rafael Azevedo, 29 anos.

Assim como ele, outras pessoas aprovaram a iniciativa. "É uma forma humorada de os pedestres pedirem respeito diante da falta de educação dos motoristas. Ao mesmo tempo, essa intervenção mostra às autoridades de trânsito o quão é necessário investir em campanhas educativas", observou um dos comerciantes da região, Robson Ramalho.

A reportagem também fez o teste. Bastou deixar a placa à mostra para o primeiro carro parar, servindo de exemplo para os próximos reduzirem a velocidade em seguida. E a reação dos motoristas era unânime: todos observavam e sorriam ao ver o conteúdo das placas. Frases como "Pare para mim" e "Respeito", além de gravuras que mostram um boneco vestido de rei atravessando a faixa de pedestres, estão entre os conteúdos das placas.

Assim como os demais, a cabeleireira Débora Leão, 24, pegou uma das sinalizações e não negou a cara surpresa ao ver que a ideia, de fato, funciona. "Só quem utiliza essa faixa sabe a dor de cabeça que é atravessar aqui. Não sei quem fez isso, mas está de parabéns. A gente quem agradece", brincou.

Autoria desconhecida
Ainda é um mistério saber quem são realmente as pessoas que interviram nesse trecho do Espinheiro. Não se sabe se são moradores. A única informação é que um grupo jovem, com idade aproximada de 20 anos, implantou a "pequena engenharia" no lugar. Basta olhar para perceber que se trata de uma solução barata: em cada calçada lateral à faixa de pedestres foi colocado um cano de PVC, com uma base plástica segurada por pedras (para o cano não tombar).

Os canos, que servem para encaixar as placas de sinalização, foram colocados propositalmente em ambas as calçadas para o pedestre utilizar qualquer um dos canos, a depender da direção que ele vier. O curioso e mais interessante é que nenhuma sinalização foi furtada, pelo menos, por enquanto.

Procurada, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) não comentou sobre a intervenção, mas reiterou, em nota, que "o condutor que deixar de dar preferência à passagem do pedestre que se encontre na faixa destinada à travessia está passível de multa gravíssima".

Em relação à implantação de semáforo no local, o órgão afirmou que "é importante ressaltar que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) recomenda a adoção de outras formas de controle de tráfego, como a faixa de pedestre, para obediência às normas gerais de circulação, uma vez que a implantação inadequada do equipamento semafórico pode apresentar prejuízos ao desempenho e segurança do trânsito".

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