Crise em maternidade do Recife gera protesto

Na Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, funcionários reclamam de sobrecarga de trabalho e da falta de estrutura e medicamentos

Cisam já teve uma Unidade de Cuidados Intermediários fechada pela criseCisam já teve uma Unidade de Cuidados Intermediários fechada pela crise - Foto: Cortesia

A falta de profissionais, aliada à demanda crescente de pacientes, têm tornado o dia a dia na unidade de neonatologia do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), também conhecido como Maternidade da Encruzilhada, insustentável, segundo os funcionários. A sobrecarga de trabalho e a excesso de crianças na unidade foram evidenciadas mais uma vez na manhã desta quarta-feira (21), quando parte dos trabalhadores realizou um ato público. De acordo com a gestão hospitalar, há um déficit de 12 técnicos de enfermagem e de quatro enfermeiros para o setor.

A falta de profissionais já levou nos últimos dois anos ao fechamento de uma das três Unidades de Cuidados Intermediários (UCI). As duas restantes convivem com problemas diários. Nesta quarta-feira, os espaços que deveriam abrigar 15 recém-nascidos, estavam com 25. Alguns bebês estavam alojados de forma precária, esperando vaga na UTI, que já estava lotada.

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O gestor do Cisam, Olímpio Moraes, confirmou as dificuldades. “Temos uma deficiência grande de profissionais, principalmente de técnicos de enfermagem e enfermeiros”, disse. “Estamos trabalhando com quadro muito baixo, não adequado, e um concurso não foi homologado. O déficit histórico está aumentando também com a aposentadoria de alguns funcionários”, contou.


Moraes informou que, para não penalizar ainda mais a população, as férias de servidores vêm sendo canceladas nos últimos seis meses, assim como as licenças. Pelas regras de saúde, a proporção ideal desses profissionais na UTI neonatal é de um técnico para cada dois leitos e de um enfermeiro para cada dez leitos. Já na UCI, seriam necessários um enfermeiro para dez leitos e um técnico para cinco leitos.

O corpo de enfermagem e de técnicos já solicitou contratação de emergência de trabalhadores até a realização de um concurso. O Sindicado dos Médicos (Simepe) também alega que existe falta de especialistas nas escalas na neonatologia. A última vistoria do Simepe no local foi no último dia 12, e no dia 19 a direção do sindicato cobrou providências da gestão da UPE.

Em nota, a gestão executiva do Cisam/UPE afirma que a superlotação ocorre devido a uma demanda reprimida existente na rede de saúde e que a unidade hospitalar prefere atender as pacientes que procuram a unidade do que mandá-las de volta para casa. Para otimizar o atendimento, informou que vem realizando ajustes, como a elaboração de novas escalas de plantão, de modo a não faltar profissionais.

Já sobre o déficit de servidores nas unidades da universidade, seja de saúde ou de educação, ressaltou que, desde 2012, o Governo do Estado, por meio das secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), a qual é vinculada, de Saúde (SES) e de Administração (SAD), tem autorizado a realização de concursos públicos para o preenchimento de vagas no seu complexo hospitalar, do qual o Cisam faz parte.

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