Empatia: a capacidade de compreender o outro

Quando sofremos por pessoas que enfrentam enchentes, deslizamentos, falta de água, tsunamis, terremotos e vulcanismo a capacidade psicológica que entra em voga é a empatia

O valor da empatiaO valor da empatia - Ilustração FolhaPE/João Lin

Dentre os comportamentos vinculados à socialização, a empatia tem um papel fundamental na garantia do respeito e atenção ao próximo. Ligada ao hormônio do amor, com a liberação de ocitocina quando se faz algo pelo bem do próximo, a empatia não se configura como algo natural do homem.

Em sua dimensão principal, ter empatia faz parte de uma construção cultural. Ou seja, a empatia depende da formação cultural de um grupo. A empatia age quando se tem contato com o outro de forma aberta para receber e perceber suas dificuldades, necessidades e desejos.

Quando sofremos por pessoas que enfrentam enchentes, deslizamentos, falta de água, tsunamis, terremotos e vulcanismo a capacidade psicológica que entra em voga é a empatia. A capacidade de compreender socialmente o outro ser ao ponto de sentir as suas dores, felicidades, é chamada de empatia. A psicóloga Maria da Conceição Correia (Concita) acredita que a empatia é uma tentativa de compreender os sentimentos e o ser humano. "Numa situação empática a gente costuma dizer que a alegria do outro passa a ser minha e o sofrimento do outro passa a ser meu", esclareceu.

Leia também:

Transviver usa esportes em prol do bem-estar
Solidariedade, um ato que precisa ser contínuo
Campanha de doação de sangue do Hemope para o Carnaval começa nesta quarta



"O sofrimento do outro é algo que é dele, mas no momento em que eu vivencio uma relação empática com aquele outro, eu posso não sentir como ele sente na essência, mas eu posso imaginar, a partir do lugar em que eu estou, como ele deve estar se sentindo", explicou a psicóloga. De acordo com a psicologia, o que o outro sente remete aos nossos próprios sentimentos e geralmente a gente pode se perguntar "e se fosse comigo?".


A antropóloga diretora do departamento de ciências sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Andrea Butto Zarzar, explicou que o desenvolvimento da empatia depende das referências culturais de cada sociedade. "Tem sociedades em que você vai ter um grau de solidariedade e um esforço pela compreensão desse outro e tem outras sociedades onde você vai ter hierarquias em que essas possibilidades de solidariedade, por exemplo, entre os grupos sociais, ela é reduzida. 

Antropóloga, Andrea Butto Zarzar

Antropóloga, Andrea Butto Zarzar - Crédito: Léo Malafaia / Folha de Pernambuco

A lógica de se importar com o próximo foge ao pensamento comum atual que visa produtividade, consumismo e competitividade. No seu modelo lógico, a empatia intui não só o "se importar com o outro" como o "se solidarizar pelo outro". Ao ajudar alguém, a pessoa tende a diminuir as diferenças sociais e econômicas, por exemplo, que a colocaria como melhor que o ajudado. Estudante de geologia, Aline Macrina da Silva desenvolveu durante a vida a capacidade de se importar com o outro.

"Para abrir os olhos para o outro eu acho que a gente não precisa de tanto, a gente precisa só olhar para o lado", contou. A estudante participou, como aluna, de um pré-vestibular gratuito, feito por voluntários. Lá, a percepção da empatia se alimentou ao ponto de fazê-la voltar para dar aulas e coordenar o projeto.

Atos de altruísmo, onde há uma dedicação ao outro e pelo outro, são geralmente vistos como uma via de mão única. No entanto, a sensação de bem-estar quando se solidariza com sentimentos de outras pessoas é comprovada cientificamente. "Quando você tem uma empatia pelo outro e se coloca no lugar do outro você tem uma liberação exacerbada da ocitocina, que é um hormônio do bem-estar, que aumenta", explicou a endocrinologista Raissa Lyra, do Hospital Jayme da Fonte. 

Raissa Lyra, endocrinologista

 

Raissa Lyra, endocrinologista - Foto: Léo Malafaia / Folha de Pernambuco

Fugir da naturalização que nos impulsiona a ignorar o outro necessita de um esforço contínuo. A futura geóloga Aline reiterou que basta fazer um esforço para não pensar só em si. "A gente vive num país onde a diferença social, a diferença racial, a diferença de gênero, são muito grandes e isso faz com que a gente conviva o tempo todo com pessoas diferentes. Então, a partir do momento que se olha para o lado e tenta entender a realidade do outro, respeitar a diferença do outro, já está sendo mais empático", salientou.

#vidaplenajaymedafonte

Veja também

Classes mais altas têm maior potencial de contaminação em repique de casos, diz infectologista
Coronavírus

Classes mais altas têm maior potencial de contaminação em repique de casos, diz infectologista

Protestos contra violência policial deixam 56 mortos e fecham escolas na Nigéria
internacional

Protestos contra violência policial deixam 56 mortos e fecham escolas na Nigéria