Feridos e familiares falam que ação da PM em baile funk foi emboscada

Frequentador assíduo do baile funk, Vinicius Silveira Martins, 18 anos, relatou que, por volta das 3h, a PM chegou jogando bombas de efeito moral e encurralando as pessoas

Baile funk em Paraisópolis Baile funk em Paraisópolis  - Foto: Arquivo Pessoal

Jovens feridos e familiares de vítimas afirmam que ação da PM no baile funk em Paraisópolis, que acabou com nove mortos e sete feridos, foi uma emboscada e não perseguição a suspeitos, como afirma a Polícia Militar.

Uma adolescente de 17 anos, que pediu para não ser identificada por medo de represália, conta que ficou presa em uma viela após muita correria e recebeu golpes de cassetete de policiais militares em várias partes do corpo.

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"Eles [PMs] foram realmente na maldade para ninguém conseguir correr. Eu ouvi tiros e vi muita gente pisoteada. Inclusive vi um policial dando uma garrafada em uma pessoa no meio da confusão. Eles fecharam as saídas das ruas e saíram espancando. Foi uma covardia."

Frequentador assíduo do baile funk, Vinicius Silveira Martins, 18, relatou que, por volta das 3h, a PM chegou jogando bombas de efeito moral e encurralando as pessoas. Ele diz ter conseguido escapar de ser pisoteado, mas foi atingido por estilhaços de uma bomba. Ele quebrou o nariz e teve ferimentos no rosto.

"Foi um desespero. Todo mundo correndo tentando salvar a própria vida. Vi gente desacordada e gente morta. Estamos acostumados com as bombas no baile. Tem quase toda semana. Mas, dessa vez fomos encurralados. Foi cassetete, garrafada, muita bomba e correria. Consegui sobreviver e vim para o hospital, mas sei que aqui tem vários corpos de pessoas que não tiveram a mesma chance que eu", relata, bastante emocionado.

Segundo o tenente-coronel Emerson Massera, da PM, a perseguição está comprovada, uma vez que policiais avisaram o rádio sobre a abordagem. Foram encontradas duas munições que seriam dos criminosos. Os suspeitos e a moto deles, porém, não foram encontrados.

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