[Fotos] Galo da Madrugada, o rei das ruas

Após primeiro desfile, em 1978, brincadeira cresceu. Neste sábado, bloco arrasta dois milhões de pessoas

Desfile do Galo da Madrugada em 2016Desfile do Galo da Madrugada em 2016 - Foto: Henrique Genecy/Reprodução/Folha de Pernambuc

O sábado de Zé Pereira nunca mais foi o mesmo desde que Enéas Freire, cerca de 75 amigos, familiares e uma orquestra com 22 músicos resolveram sair fantasiados de almas, espalhando confete e serpentina pelo bairro de São José, em 1978. O objetivo era resgatar o tradicional Carnaval de rua, que entrava em decadência no Recife. “O Galo da Madrugada tomou uma dimensão irreversível”, disse o presidente do bloco, Rômulo Meneses, ao avaliar a trajetória de 40 anos do Clube de Máscaras O Galo da Madrugada, que hoje arrasta mais de dois milhões de pessoas. Com 30 trios elétricos e nove horas de festa, o Galo se tornou responsável por saudar o Carnaval e mostrar a força da pluralidade da cultura pernambucana. O tema deste ano, inclusive, representa bem tudo isso: “Galo 40 anos, Promovendo o Folclore e a Cultura de Pernambuco”.

De uma brincadeira de família, a agremiação se transformou em um fenômeno social. É como enxerga a representante do Ministério da Cultura na Região Nordeste, Maria do Céu. “Meu pai tinha casa em Paudalho, onde brincávamos o Carnaval, mas o sábado era reservado para o desfile do Galo. Desde sempre ele [o bloco] assumiu um papel importante de representatividade cultural e é muito gratificante ver essa mobilização”, disse.

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Os foliões mais antigos também não faziam ideia do que o Galo se tornaria. No segundo desfile, o número de foliões já era cinco vezes maior e nunca mais parou. Prefeito do Recife em 1980, Gustavo Krause lembra que o Carnaval de rua estava definhando na Cidade e que ter um bloco saindo de madrugada para anunciar o Carnaval era algo incomum. “O bairro de São José era residencial, o comércio do entorno funcionava normalmente no sábado de Zé Pereira, então surgiam os mascarados jogando talco com orquestras de instrumentos de sopro buscando resgatar a folia de rua”, comentou Krause.

O médico pediatra Fernando Azevedo lembra que, com o aumento de pessoas nas ruas, os músicos das orquestras - que também estavam aumentando - começaram a se machucar com os instrumentos de sopro no “empurra empurra“. “Foi quando eles pediram para saírem em cima de carros. Aquilo gerou uma polêmica e muitos afirmaram que estava descaracterizando o bloco”, comentou Azevedo.

O ex-diretor e vice-presidente por 16 anos do Galo da Madrugada, Dirceu Paiva, recorda a animação daquele início e se emociona ao lembrar que recebeu o Galo de Ouro por sua história dentro da agremiação. “Só quem passou por todas as mudanças do Galo é que sente a emoção de vê-lo sair a cada ano”, comenta.

Com menção aos antigos carnavais e em homenagem aos compositores que fazem parte da história do clube de máscaras, foram mantidos os seis carros alegóricos que farão o cortejo do bloco. O primeiro será “Os Clarins e as Trombetas”, seguido do abre-alas “O Galo da Madrugada”.

Adotados há oito anos, os duetos formados por artistas pernambucanos com convidados do cenário nacional se repetirão este ano. André Rio estará com Tony Garrido, que também cantará com Geraldinho Lins. A homenageada do Carnaval 2018, Nena Queiroga, fará dueto com Luiza Possi e contará com a participação de Pedro Luiz. Elba Ramalho e Genival Lacerda formam outra dupla. Estreando no desfile no mesmo dia de seu aniversário, a cantora Vanessa da Mata cantará ao lado do Maestro Spok. Outros artistas também prometem agitar a multidão.

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