[Galeria] Menino, vem pra rua, aí vem o papangu

Foliões de Bezerros conseguem manter a tradição dos famosos personagens

Solange Maria dos Santos, 58 anos, desfila de papangu desde os 10 anos de idadeSolange Maria dos Santos, 58 anos, desfila de papangu desde os 10 anos de idade - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

A tradição de manter segredo sobre a identidade dos papangus, no município de Bezerros (Agreste pernambucano), ainda é resistente entre os moradores, principalmente os de mais idade. Na praça Centenária, onde ocorre neste domingo (11), às 9h30, o desfile do tradicional Concurso dos Papangus, senhores com rádios de pilha nas mãos olham desconfiados e desconversam rapidamente ao serem questionados sobre quem são os mascarados que saem pelas ruas nos dias de Momo. "É muito difícil encontrarmos esses personagens. Esse mistério ainda é muito forte na cidade e é o que atrai as mais de cinco mil pessoas que vêm participar de nosso concurso", explica o diretor de Cultura da Secretaria de Turismo, Roberval Lima.

Artesãos endossam o mistério, já que as máscaras que fabricam são encomendadas sob sigilo absoluto. “Faço de 500 a 600 máscaras para as brincadeiras de rua, mas a maioria de meus clientes pede para não revelar a identidade deles”, comenta Genildo Soares de Souza, Genildo Artesão, que desde os 12 anos confecciona as máscaras coloridas que ganham vida neste período.

Em meio a essa busca sobre quem são os mascarados, a reportagem encontrou a professora Solange Maria dos Santos, 58 anos, que desfila de papangu desde os 10 anos. A única coisa que não revela, nem para a família, é o tema de sua fantasia, guardada a sete chaves. "Essa brincadeira vem de geração. Meu pai, Braulino Francisco, tinha a tradição de sair todos os anos. Ele foi o primeiro "morto carregando vivo", em 1962. Lembro que ele nos levava aos bailes municipais, que eram realizados no clube, e minha irmã mais velha também se fantasiava de papangu. A brincadeira começava no domingo e ia até a terça-feira", relembra, saudosa, com várias fotos da época.

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Tradição
Apesar de o desfile dos papangus atrair pessoas de todo o Brasil, as altas temperaturas nesta época do ano têm causado uma diminuição no número de pessoas que se caracterizam tal e qual manda o figurino. As máscaras começam a ser substituídas por telas, mas as caftas-batas ainda são mantidas. “Teve um Carnaval, há uns três anos, que os bombeiros tiveram que ser mobilizados, pois as pessoas estavam passando mal”, conta o artesão Iraildo Batista.

A arte-educadora Mileide Santos, coordenadora do grupo de dança Folcpopular, explica que há duas versões da criação do papangu. “A mais conhecida é de que na zona rural de Bezerros homens mascarados saíam usando roupas das esposas pelas ruas e visitando familiares e amigos sem se identificar”. A outra fala dos escravos que fugiam para a cidade mascarados para não serem reconhecidos.

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