Impunidade e extorsões no Recife Antigo

Três anos após cadastramento, flanelinhas ainda são denunciados por abordagens abusivas no Bairro do Recife

População reclama de ameaças e cobranças irregulares por vagas de estacionamentoPopulação reclama de ameaças e cobranças irregulares por vagas de estacionamento - Foto: Arthur de Souza

As extorsões praticadas por guardadores de carros, conhecidos como flanelinhas, continuam no Bairro do Recife, área central da capital pernambucana. É o que denunciam motoristas que costumam estacionar na região. Além da violência e das ameaças, multas atribuídas sem explicação aos veículos, possivelmente pelo uso irregular deles na ausência de proprietários que deixam as chaves com os manobristas, deixam a população no prejuízo. As reclamações ocorrem quase três anos após um cadastramento de flanelinhas ter sido posto em prática pela Prefeitura (PCR) em parceria com a Polícia Civil. Estava nos planos da gestão municipal estendê-lo a outras regiões, mas a falta de êxito já no projeto piloto fez com que a iniciativa não avançasse.

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A condutora Branca (nome fictício) conta que normalmente os flane­­linhas se posicionam em frente ao veículo, intimidando-as e impe­­dindo-as de estacionarem em vaga livre. “Eles soltam indiretas como: Cuidado por aí, não garanto que seu carro fique seguro”, disse Branca. “Estamos com muito medo, pois todos os dias eles sabem a hora que chegamos e saímos. Alguns andam com facas”, completou.

Em janeiro de 2015, 118 flanelinhas foram cadastrados pela Secretária de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) do Recife. Segundo o órgão, a iniciativa tinha o objetivo de evitar extorsões e constrangimentos, já que os guardadores de carros receberam um crachá e tiveram antecedentes criminais checados junto à Delegacia da avenida Rio Branco. Faixas chegaram a ser instaladas na rua Madre de Deus com dizeres sobre o projeto e esclarecimentos à população sobre a não obrigatoriedade de pagar aos flanelinhas pela vigilância dos carros. O problema é que, com os anos, outros guardadores foram chegando para atuar na região sem qualquer tipo de controle. Hoje, poucos são os que trabalham usando o crachá. De acordo com os motoristas, alguns usam tornozeleiras eletrônicas do sistema prisional e exigem que o condutor compre a folha de Zona Azul por valores acima do normal (R$ 3).

Responsável pela segurança patrimonial de um prédio no bairro, sem atuação no policiamento ostensivo, o sargento João, da Polícia Militar (PM), visualiza as atitudes abusivas diariamente. “Eles cobram valores de até R$ 10, e quando recebem R$ 20, se escondem para não devolver o troco dos motoristas. Também estacionam o carro ocupando duas vagas para garantir o espaço de alguém que paga mensalmente por uma vaga, e exigem lavar o veículo do cidadão mesmo sem ele querer, para ter de receber pelo serviço”, relatou.

Em resposta à Folha de Pernambuco, a Semoc informou que só foi responsável pelo cadastramento dos flanelinhas, e que denúncias de extorsão e violência praticada por eles devem ser tratadas pela PM. Já a corporação esclareceu que a população deve procurar a delegacia mais próxima e registrar o boletim de ocorrência (BO), para que a Polícia Civil investigue as denúncias. A vítima pode denunciar também pela delegacia itinerante na internet, por meio do site servicos.sds.pe.gov.br/delegacia. Já sobre as reclamações relativas a multas aplicadas sem explicação, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) afirmou que todos os cidadãos têm direito de recorrer da multa de trânsito registrada no Recife.

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