Inquérito aponta caso Mayara como tentativa de feminicídio

Delegada Bruna Falcão apresentou o inquérito na Delegacia da Mulher

Delegada do caso Mayara, Bruna FalcãoDelegada do caso Mayara, Bruna Falcão - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A delegada Bruna Falcão, responsável pelo caso Mayara, concluiu o inquérito nesta sexta-feira (12), no Recife, anunciado à imprensa. Após considerar o caso como uma lesão corporal de natureza grave, o resultado foi entendido como tentativa de feminicídio após prova testemunhal e pericial.

Através das perícias do Instituto de Criminalísticas de Pernambuco, foi descoberto que o produto químico utilizado na agressão contra a jovem de 19 anos não foi soda cáustica e, sim, o ácido sulfúrico. "Foi constatado que havia vestígios de ácido sulfúrico no pote de plástico usado por William [César Santos Júnior, de 27 anos] para cometer o crime. O produto químico também foi encontrado na amostra de cabelo de Mayara coletado no local. William banhou o corpo de Mayara em ácido sulfúrico, uma substância extremamente tóxica” disse a delegada em coletiva de imprensa na tarde desta sexta.

No amigo de William, Paulo Henrique dos Santos, 23 anos, suspeito de ajudar com o crime, foram identificados ferimentos escuros nos braços, naturais da evolução de uma queimadura por produto químico. Paulo confessou o crime dizendo que havia segurado a jovem de 19 anos enquanto William jogava o produto na ex-companheira. Segundo a delegada, a presença do produto no braço de Paulo Henrique consolidou a versão de que ele segurou a jovem para que o ex-companheiro de Mayara jogasse o ácido nela. A delegada também concluiu que William foi o responsável por arquitetar o crime.

Leia também:
Homem que jogou ácido em ex-companheira ainda está solto
Homem que jogou soda cáustica na ex-esposa deve se entregar à policia
Homem joga soda cáustica na ex-esposa no Recife
Jovem atacada com soda cáustica pelo ex-companheiro é transferida para UTI
Jovem atacada com soda cáustica registrara três BOs em menos de um mês contra ex-marido

Os dois homens serão indiciados por tentativa de feminicídio e podem pegar, cada um, de 12 anos a 30 anos de prisão. William também foi indiciado por descumprimento de medida protetiva de urgência, injúria, ameaças e contravenção penal. Já Paulo foi indiciado também por desobediência, quando não atendeu à voz de prisão recebida. Assim, a pena dos dois pode aumentar.

Segundo a delegada, Paulo confirmou no interrogatório que William teria dito que preferia acabar com a vida de Mayara a vê-la em outro relacionamento, levando à "feminicídio tentado".

Mayara continua internada no Hospital da Restauração (HR) em caso grave.

Entenda o caso:
Mayara Estefanny Araújo foi surpreendida ao ser atacada pelo ex-companheiro que arremessou ácido sulfúrico no rosto, tórax e braços da vítima noite do último 4, no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife.

Segundo relatos de familiares, a jovem de 19 anos estava chegando na casa da mãe após largar do trabalho quando foi surpreendida pelo homem e um amigo dele, que a segurou para lançar o produto químico. Ela foi internada em estado gravíssimo no HR.

Amigo de William, Paulo Henrique Vieira dos Santos é suspeito de segurar a vitima para que o ex-marido jogasse o produto químico no rosto de Mayara. Paulo foi detido no fim da manhã do último dia 5, na Delegacia da Mulher, em Santo Amaro, para averiguações. 

A vítima está internada em estado grave no Hospital da Restauração (HR), no Recife. Com 35% do corpo queimado, ela tem lesões no rosto, tórax e braços, e foi transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no último domingo (7). 

Veja também

Fogos em nove fazendas destruíram 141 mil hectares no Pantanal
Pantanal

Fogos em nove fazendas destruíram 141 mil hectares no Pantanal

China promete neutralidade em carbono até 2060
Meio Ambiente

China promete neutralidade em carbono até 2060