Inscrições no Enem em queda desde 2016

Redução de 36% em Pernambuco segue tendência no País, que mostra 31% a menos de inscrições

[610]Enem[610]Enem - Foto: Arquivo Agência Brasil

O número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) diminui a cada ano desde 2016. Nessa terça-feira (15),  o Ministério da Educação (MEC) divulgou que um total de 275.327 pessoas se inscreveram no Enem 2019 em Pernambuco. Em 2016, foram 430.684 inscritos. Uma redução de 36%. A diminuição segue a tendência do País. Em todo o Brasil, 31% menos pessoas se inscreveram no Enem neste anos em relação a 2016.

O dado é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que segue preparando a aplicação do exame. Em todo o País, a edição deste ano recebeu 5.095.382 inscrições com pagamento registrado. As provas serão realizadas nos domingos 3 e 10 de novembro.

Segundo o Inep, as mulheres são a maioria entre os inscritos no Estado. São 162.251 candidatas (58,9%) e 113.076 candidatos (41,1%). No recorte da faixa etária, os dados mostram 26,0% dos inscritos com idade de 21 a 30 anos, um total de 71.713 candidatos. Em relação à situação do Ensino Médio, 59,9% dos candidatos já concluíram a etapa (164.843) e 26,6% estão no último ano (73.239). O Recife registrou 62.380 inscrições, equivalente a 22,7% do total.

A redução na inscrição corresponde a uma diminuição demanda por curso superior, de acordo com o consultor em educação Otto Benar. “A razão dessa diminuição, talvez, esteja ligada ao fato de que 75% dos graduados no Brasil não estarem trabalhando nas suas áreas de formação. E, assim, não estão conseguindo os salários que esperavam receber quando concluíssem a faculdade.”

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O doutor em educação pela Universidade de São Paulo Édison Prado de Andrade afirma que é preciso olhar para a educação básica na hora de avaliar a queda nas inscrições. “A educação está, há bastante tempo, decaindo no Brasil em termos de qualidade. Muito se fala a respeito, mas pouquíssimo se consegue fazer na rede pública para melhorar o ensino.” Ele atribui isso a precariedade nas escolas, que diminui o interesse do adolescente em permanecer na instituição e, consequentemente, prestar o exame nacional.

Édison acredita que esse fenômeno pode fazer o Enem definhar ainda mais. “Enquanto a escola não representar algo realmente significativo para o adolescente, muitos deles não vão querer ficar lá. O Enem depende dessa frequência e interesse das pessoas em frequentar a escola. Se temos um público sem interesse nisso, o Enem vai morrer.”

Culpa disso também vem do desvio da finalidade para qual o exame foi criado, segundo o especialista. “O Enem deveria servir de autocrítica para os sistemas de ensino encontrar onde estão suas falhas, não apenas estabelecer uma pontuação de acesso a universidades. O MEC e as secretarias do Estado e dos Municípios são sistemas de ensino separados. Cada um deles deveria estar usando esses exames para avaliar os sistemas de educação.”

 

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