Instalação de usina nuclear no Sertão de Pernambuco é debatida na Alepe

A audiência pública ocorreu na manhã desta segunda-feira (7)

Audiência pública debate a instalação de usina nuclear em ItacurubaAudiência pública debate a instalação de usina nuclear em Itacuruba - Foto: Divulgação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e Informática promoveu, na manhã desta segunda-feira, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), uma audiência pública para discutir a instalação de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão de Pernambuco.

A audiência foi conduzida pelos especialistas: professora Helen Khouri, do departamento de Energia Nuclear da UFPE; Carlos Brayner, diretor geral do Centro Regional de Energia Nuclear no Nordeste; Carlos Mariz, professor e consultor em Energia Nuclear e o Dr João Henrique de Araújo Neto, diretor de operações da Chesf.

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Todos os especialistas que compunham a bancada destacaram os benefícios econômicos da instalação da usina para o estado de Pernambuco.

A professora Helen Khouri destacou as aplicações da energia nuclear no dia a dia e ressaltou que a falta de informações sobre o tema pode gerar um mito que amedronta as pessoas. “As pessoas que não conhecem a radiação só sabem o que foi dito pela televisão. E o que está dito pela televisão é acidentes e bombas. Não está dito nada sobre os benefícios da radiação”, afirmou.

O prefeito da cidade de Itacuruba, Bernardo Maniçoba, que estava presente na reunião, falou sobre a importância do debate para a decisão da instalação. “A gente tem que ter uma visão não só para o lado financeiro e econômico, mas sim para o todo, para a população. Vamos escutar a população e os técnicos e decidir qual a melhor opção para a nossa região”, declarou.

Se a construção da usina for feita nos próximos 10 anos, renderia um retorno de, aproximadamente, 750 milhões de reais de ICMS para o Estado e 150 milhões de ISS para o município por ano, segundo estudo da comissão responsável pelo projeto.

O deputado Joel da Arpa (PP), que participa da comissão responsável pela instalação da usina nuclear de Itacuruba, destacou porque a reunião foi realizada. “Esse debate é importante para que chegue também na população e entender que a gente não pode deixar de ter essa oportunidade, esse grande investimento não só para Itacuruba, mas também para Pernambuco”, comentou.

Integrantes da Articulação Sertão Antinuclear, coletivo que promove ações contra a instalação de usinas nucleares nas regiões do nordeste, também estavam na reunião. Para os integrantes, é preciso dar uma atenção maior ao impacto ambiental e social que a instalação da usina pode ter.

“O problema de uma usina nuclear é que ela vai causar uma contaminação atmosférica, no solo, na água, que pode durar séculos, mesmo não causando uma morte imediata, mas o rastro de radiação é muito grande. O rio São Francisco é a vida daquela população e a instalação vai interferir diretamente na fauna e na flora do local”, afirmou José da Cunha Júnior.

Para o professor e consultor em energia nuclear, Carlos Mariz, diferente do que aconteceu em Chernobyl, os riscos de acidente nuclear no Brasil não existem. “Chernobyl é um acidente que não poderia acontecer nos Estados Unidos, na Europa nem aqui no Brasil, porque a característica da usina de Chernobyl é uma usina soviética produzida com outra finalidade e que usa grafite como moderador. Ninguém usa grafite aqui, a tecnologia de nossa usina é pressurizarão e usamos água. Por isso, essa preocupação excessiva por Chernobyl é apenas para aterrorizar aqueles que não conhecem”, afirmou.

Ocorreram dez acidentes nucleares em todo o mundo. No Brasil, em 1987, um acidente radiológico envolveu o Césio-137, poluente tóxico sem níveis seguros de exposição, em Goiânia.

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