La Casa de Papel: youtuber diz, em vídeo, que foi humilhado

Emocionado, youtuber Gerson Albuquerque alega que foi humilhado e que chegou a ser agredido por um policial na delegacia

Youtuber Gerson Albuquerque desabafa em vídeo sobre o caso do CotelYoutuber Gerson Albuquerque desabafa em vídeo sobre o caso do Cotel - Foto: Reprodução/YouTube

O youtuber pernambucano Gerson Albuquerque, de 24 anos, que, fantasiado, invadiu o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel) na última terça (17), junto com três amigos, publicou em seu canal um vídeo contando sua versão do caso. O desabafo de 15 minutos, publicado na noite desta quinta (19), já tinha mais de 420 mil visualizações até as 23h. Emocionado, Gerson alega na gravação que foi humilhado e que chegou a ser agredido por um policial na delegacia. O youtuber tem mais de 2 milhões de fãs inscritos em seu canal.

Segundo ele, a ideia de ir ao Cotel usando as roupas da série de TV La Casa de Papel veio de uma sugestão de um fã. "De cara, eu pensei em não fazer isso, mas pensei que podia fazer uma cena na frente do presídio só com a roupa, sem máscara, porque lá os agentes trabalham com uma tensão enorme e eu não queria levar um tiro", disse.

Ainda de acordo com o youtuber, o grupo chegou em frente ao presídio com uma sacola contendo pão com mortadela e viu um portão aberto, mas não havia nenhuma sinalização de que era proibida a entrada. "Fui na guarita para saber se eu podia estar ali na frente, mas não tinha ninguém. Umas mulheres estavam fazendo visita e, quando abri a sacola com pão, uma fã me viu, me chamou e pediu um", contou.

Segundo a declaração, Gerson questionou à mulher se poderia se dirigir até o local onde ela estava e ela o chamou para a área do estacionamento do Cotel. Em seguida, o youtuber mostra imagens de vários agentes armados que abordaram os rapazes, pediram para eles deitarem no chão e os obrigaram a colocarem as máscaras. "Eu errei, mas ali eles podiam nos liberar, pois não estávamos com armas nem drogas e nem fizemos menção de assalto ou de reagir", acrescentou.

Os quatro youtubers, entre eles um adolescente de 17 anos, foram encaminhados à Delegacia de Paulista. Ainda de acordo com o vídeo publicado por Gerson, eles foram destratados no local. "Nos envergonharam, ficaram zombando da gente, nos ajoelharam em frente à parede e jogaram spray de pimenta. Um deles me agrediu, deu um tapa na minha cara", disse.

Ele ainda contou que o grupo passou a noite no xadrez em situação "precária". "Era um espaço muito pequeno, fedendo, cheio de lama. Não dormimos, cochilamos em cima de um concreto que só dava para umas quatro pessoas. Foi uma humilhação muito grande, acho que não precisava de tudo isso", falou. "Fiquei triste porque me trataram como se fosse um bandido. Me algemaram nas mãos e nas pernas, me levaram de camburão, me humilharam tirando foto minha com as máscaras, para eu sair como errado"

Entenda o caso
O grupo, liderado por Gerson, aproveitou o momento em que um veículo deixava o Cotel para entrar na unidade, sendo abordado e quase baleado por agentes penitenciários. A intenção era fazer uma pegadinha para publicar no canal do Youtube.

Os agentes de segurança, ao perceber a movimentação estranha, imaginaram que se tratava de uma tentativa de resgate de presos. Os três e um adolescente de 17 anos foram rendidos e revistados. Apenas depois, eles revelaram que se tratava de uma pegadinha para a plataforma de vídeos.

Gerson Albuquerque, de 24 anos, Wesllay Meireles Lopes da Costa, de 33 anos, conhecido como Matuto Motovlog, e Mateus Kleber Oliveira, de 20 anos, conhecido como Êta Bixiga, passaram por audiência de custódia no Fórum de Olinda, nessa quarta (18), e foi arbitrada uma fiança de R$ 5 mil para cada pelo juiz de direito Thiago Fernandes Cintra, que foi paga no final da tarde.

Um dos advogados do grupo informou que vai fazer uma representação contra o secretário de Justiça e de Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, o diretor do presídio e o delegado que fez o flagrante. "Temos documentos, fotos e vídeos, de que eles foram levados para dentro do presídio e foram obrigados a ficar ajoelhados e com a máscara na cabeça, como se tivesse quatro marginais dentro daquele estabelecimento. É inadmissível a maneira que é tratado um artista de nosso estado. O máximo que poderia ter acontecido é um TCO e eles serem liberados", disse Roberto Rabelo.

A reportagem entrou em contato com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, mas não obteve sucesso.

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