Leishmaniose pode ter nova medicação

Farmacêutica pernambucana Hebron inciará nova fase de testes para o remédio entre outubro e novembro. Droga deve ficar pronta em 2020

Classificada como doença negligenciada, a enfermidade tem como vetor o inseto PalhaClassificada como doença negligenciada, a enfermidade tem como vetor o inseto Palha - Foto: Brenda Alcântara

Uma nova droga para tratamento de pacientes humanos com leishmaniose deve começar a fase de testes clínicos entre outubro e novembro deste ano. O produto desenvolvido pela farmacêutica pernambucana Hebron ainda não teve a composição revelada. Contudo, o coordenador dos estudos, o pesquisador JanCarlo Delorenzi, aponta que a droga é um medicação totalmente inovadora, com uma substância até então nunca experimentada.

Os resultados preliminares na utilização do produto em modelos animais demonstraram uma eficácia dez vezes maior que em relação a Glucantime, substância que hoje compõe o trato da doença. O Glucantime também tem apresentado baixa resposta em alguns pacientes.

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A leish-maniose compõe a lista de doenças negligenciadas, que por acometerem mais as populações em vulnerabilidade e do campo, acabaram historicamente subjugadas. Nos últimos anos, o avanço da doença pelos centros urbanos tem gerado preocupação mundial.

Delorenzi estuda esta nova terapia contra a enfermidade há cerca de 15 anos. Os testes pré-clínicos realizados em laboratório mostraram resultados animadores. Também foram positivas as respostas num primeiro grupo focal de humanos. “Esse produto que estamos desenvolvendo é uma apresentação por via oral e melhora a comodidade. A avaliação inicial em seres humanos saudáveis não trouxe reação adversa, nem crônica como a hepatotoxidade ou cardiotoxidade que a gente observa nos produtos usados hoje em dia.

E, nos estudos com animais, foi dez vezes mais eficaz. Estamos agora pautados nisso e com uma expectativa que o produto seja pelo menos duas vezes mais eficaz que o já no mercado”, contou.

Os resultados até agora obtidos já foram apresentados em três congressos internacionais. Nessa fase que se aproxima, um grupo maior de pessoas será avaliado com o produto na região Norte do Brasil, onde a incidência da enfermidade é maior do País. O pesquisador acredita que, se tudo sair dentro do esperado, a droga esta pronta até 2020.

“Temos a expetativa de um pedido de registro priorizado porque se trata de uma doença negligenciada e, segundo, porque é uma doença prioritária no Brasil. Então, temos como solicitar registro acelerado”, disse, ponderando que ainda há uma espera regulatória. A empresa destaca que, no Brasil, quantidade de pessoas infectadas pode chegar a 1,5 milhão e vários estados são considerados endêmicos, a exemplo de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.

A celeridade na elaboração do medicamento chega num cenário de expansão geográfica da leish-maniose. JanCarlo Delorenzi comentou que a chegada da enfermidade na Europa, principalmente, no sul da França, sul da Itália e sul da Espanha, deu visibilidade à doença, que era mais relacionada aos países em desenvolvimento. Naquele continente, tem sido observado um acometimento do esôfago dentro da forma visceral da enfermidade.

Outro aspecto é que a leishmaniose tem se tornado comum entre pessoas imunodeprimidas, como soropositivos e pessoas com câncer, atuando como doença oportunista nessas situações. Além dos casos na população, também se verifica nessas áreas internacionais um grande número de cães doentes. No Brasil, a história da enfermidade é antiga e difícil.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 90% dos casos registrados na América Latina ocorrem no País. Em média, cerca de 3,5 mil doentes são registrados anualmente e o coeficiente de incidência é de dois casos por 100 mil habitantes. A letalidade vem aumentando gradativamente, passando de 3,1% em 2000 para 7,1% em 2012.

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