Matriz ganha tombamento e esperança

Igreja de São José está decrépita. O telhado desabou e o reboco está caindo. Proteção do Estado pode ajudar a Arquidiocese a conseguir recursos para a sua restauração

Santuário está intimamente ligado ao bairro homônimo, do qual é padroeiroSantuário está intimamente ligado ao bairro homônimo, do qual é padroeiro - Foto: Rogério França

A Igreja Matriz de São José, no bairro homônimo, no Centro do Recife, está em estado de grave degradação. Situação que pode piorar muito, como já tem piorado desde que o teto desabou e as missas pararam de acontecer no local, em 2013. A chance de preservar a Igreja, contudo, ganhou força ontem. O Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco, aprovou seu tombamento.

“A Arquidiocese tem se articulado para tentar recursos para restaurar o santuário desde que os problemas estruturais foram aparecendo. Agora, com o tombamento, é possível recorrer à legislação de patrimônio para obter essa verba. É assim que a proteção acontecerá. O pedido foi feito pelo padre José Esteves, pároco há 48 anos dali”, contou um dos membros do conselho, o frei Luís de França.

França foi o parecerista da situação da Igreja, aprovada por unanimidade pelo Conselho. No interior, o que se vê é História em degradação. “O teto tem pinturas artísticas maravilhosas que estão sendo comprometidas pela deterioração do espaço. O telhado desabou. O reboco está caindo”, contou. O frei se debruçou sobre as patologias do local e concluiu que a necessidade de restauração é pungente há muito tempo.

Ainda de acordo com o frei, a Matriz tem uma especificidade arquitetônica que lhe torna ainda mais importante. “Ela é considerada um prédio de estilo classicista imperial. Se você olhar ao redor, verá diversas igrejas, mas a predominância é do estilo barroco. Assim, ela se sobressai”, avaliou o frei, reitor da Basílica da Penha e responsável por sua restauração. “Além disso, há a óbvia beleza. É um templo austero, com torres pesadas. É simples, mas tem uma beleza muito refinada.” De acordo com a Arquidiocese, há no interior duas pinturas, de autor desconhecido e valor singular. Mostram Dom João Marques Perdigão, bispo da então diocese de Olinda, à época da construção do templo, e Deão Farias, personagem da época.

Por fim, a Igreja abriga toda uma história. “O bairro levou seu nome, e ele se tornou o padroeiro do bairro.” Agora, é possível esperar que as missas da paróquia voltem a ser celebradas numa Igreja de São José restaurada e segura, e não mais na Capela da Santíssima Trindade, avenida Dantas Barreto.

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