Mercado de São José tem entorno reordenado

Duzentos e trinta e seis comerciantes que circundavam São José foram realocados em dois novos endereços próximos ao equipamento público

Centro Comercial do Cais de Santa RitaCentro Comercial do Cais de Santa Rita - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A partir desta segunda-feira (2), o entorno do Mercado de São José, no Centro do Recife, estará com uma nova paisagem. Cento e cinquenta comerciantes de frutas e verduras da tradicional feira livre em volta do equipamento público foram realocados para o Centro Comercial do Cais de Santa Rita.

Já os 86 vendedores de ervas medicinais, especiarias, temperos, grãos e cereais que tinham barracas nas proximidades do mercado foram transferidos para um anexo entre as ruas do Porão e Padre Muniz. Como toda mudança, houve quem aprovasse a novidade enquanto muitos se mostraram insatisfeitos.

Realizada pela Prefeitura do Recife em parceria com o Governo de Pernambuco, a construção do Centro Comercial do Cais de Santa Rita foi pensada para viabilizar o ordenamento dos bairros de Santa Rita e São José, especialmente no entorno do mercado, uma vez que os ambulantes sairão das ruas e calçadas e passarão a atuar em um local específico para o comércio. A primeira etapa do equipamento foi finalizada em 2017 e tem cerca de 40 boxes de alimentação. Nas outras duas, serão 374 bancas e boxes de roupas, alimentação, feira de frutas e verduras, fiteiros, estivas e alimentos como grãos, charque e frios em geral.

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Há 35 anos, o comerciante Marconi da Silva, 53, vende frutas e verduras nas proximidades do Mercado de São José. Apesar de estar inseguro com o novo local de trabalho, ele torce para que dê certo. "Dificuldade sempre vai ter, principalmente no começo. Temos medo que as pessoas não nos procurem nessa área nova, pois já estão acostumadas com o local onde a feira funciona", disse. Trabalhando há dois meses com pai, a produtora Tharciele Santiago, 28, não está tão otimista com a mudança. "Estou achando péssima, pois a feira, que já é um ponto turístico popular, assim como acontece em outras cidades, vai perder a identidade. Feira de rua tem que ser na rua, não em um espaço fechado", comenta.

Alguns comerciantes lembraram que em outras duas ocasiões houve a tentativa de retirar a feira do entorno do mercado, mas ela acabou voltando. Segundo o secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga, para evitar que isso ocorra a fiscalização no local será rigorosa. "Eu acho que tem se criado um sentimento de pertencimento, um zelo maior pela cidade do Recife. Acredito que ninguém vai permitir essa retomada desordenada do espaço. Agora, aqueles que forem comercializar no entorno não vamos deixar em hipótese alguma", disse. Ele informou que existe um projeto básico de circulação. "Vamos dar um tempo para ver como as coisas se estabelecem com esse novo formato para poder iniciar a implantação", acrescentou.

O objetivo é melhorar a mobilidade da população e dar mais qualidade de trabalho aos vendedores. "É natural que em qualquer mudança exista certa angústia, mas a transferência é para muito próximo do local onde os comerciantes se encontram hoje", disse Braga. Há ainda alguns ambulantes que afirmam não terem sido contemplados com uma banca em nenhum dos dois novos espaços da prefeitura.

"Recebi estas críticas, mas de pessoas que não foram cadastradas. Sempre aparece gente de última hora para reivindicar espaço, mas não se tem um estoque infinito de áreas para conceder. De qualquer forma, estamos verificando as reivindicações para que não haja injustiças", disse.

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