Metrô

Metrô do Recife pode parar em julho

CBTU alega que a falta de recursos para manter o funcionamento do sistema é principal fator para o encerramento das atividades

Ao todo, aproximadamente 400 mil usuários utilizam o sistema por dia, em 550 viagens que passam pelas 37 estaçõesAo todo, aproximadamente 400 mil usuários utilizam o sistema por dia, em 550 viagens que passam pelas 37 estações - Foto: Arthur de Souza

O metrô do Recife pode parar de funcionar até o mês de julho. Em meio a mais essa ameaça de paralisação do sistema por falta de recursos para manter os trens, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) inicia nesta terça-feira (30), de forma parcial, a integração temporal no Terminal Integrado (TI) do Recife. A mudança ocorre inicialmente no sentido ônibus-metrô, que tem menor fluxo.

“Dando certo, a gente implementa no sentido metrô-ônibus, que tem maior fluxo”, explicou Leonardo Villar Beltrão, superintendente da CBTU. Porém, todo esse processo pode não ir para frente, caso o sistema seja paralisado. “A gente está com essa possibilidade se não houver um reforço do orçamento. Estamos fazendo todo o esforço para viabilizar esse reforço de orçamento”, continua o superintendente.

Por mais de 10 anos o valor da tarifa do metrô ficou congelado. “O valor está muito defasado com relação aos custos com o processo inflacionário e com os custos específicos do metrô. E uma situação que já era deficitária no passado, quando a União conseguia fazer uma subvenção maior, ficou pior por conta da situação fiscal do país. A empresa precisa reequilibrar minimante a situação e diminuir o valor dessa subvenção”, conta o diretor de planejamento e relações institucionais, Pedro Cunto. Esse reequilíbrio passa por um aumento tarifário que vai chegar a R$ 4 até março de 2020. No dia 05 de maio passa a ser R$ 2,10. No dia 07 de julho, R$ 2,60; em 08 de agosto, R$ 3; passa para R$ 3,40 no dia 03 de novembro; R$ 3,70 em janeiro de 2020 para finalmente chegar aos R$ 4 no dia 07 de março.

“No Recife, os custos esse ano vão chegar a R$ 541 milhões aproximadamente. Nosso faturamento, hoje, com a tarifa a R$ 1,80, está em torno de R$ 70 milhões. Então você tem um déficit de 480 milhões que é coberto pelo Governo Federal”, explica Pedro Cunto. “Isso vem fazendo com que nos últimos cinco anos a nossa operação esteja piorando. A gente está com os trens parados porque não temos recurso para manutenção e com a operação em risco a partir do segundo semestre.”

De um total de 40 trens, apenas 27 funcionam. Os 13 estão parados e servem para fornecer peças para os trens que estão em circulação e apresentam defeitos. “A gente está tentando aumentar essa receita. Elevar a tarifa para R$ 4 é um primeiro passo. Mas isso só vai chegar a uma receita de R$ 130 milhões pela nossa projeção. Falta o segundo passo aqui no Recife que é a repactuação da integração tarifária, que é completamente diferente do que é vigente no resto do país”, continua Cunto.

Hoje no Recife quem acessa os terminais integrados por meio de ônibus não paga nada pra CBTU. “Isso quer dizer que são 54% dos usuários. Mais da metade. Então a gente transporta mais de 200 mil pessoas por dia em que a CBTU não recebe nenhuma receita por isso.” Nos demais estados do Brasil existem dois modelos: uma tarifa integrada um pouco mais alta, cuja diferença é repassada para a CBTU, ou o Estado assume essa diferença. “O que a CBTU Recife vem buscando nos últimos dois anos, mas ainda não conseguiu, é repactuar essa integração, seja da forma que for. Esperamos que de uma forma que não afete o usuário, mas que melhore a nossa receita acima desses R$ 130 milhões. Nosso custo hoje é um custo ruim, que não permite que a gente recupere a integração”, insiste o diretor.

Além disso, a CBTU denuncia que há aproximadamente dois anos vem tendo paralisações no pagamento por parte do Grande Recife Consórcio de Transporte. “Hoje a gente está com processo na justiça, cobrando esses valores, que já chega a R$ 110 milhões”, conta Cunto. “Aqui no Recife a subvenção por parte do Governo Federal chega a R$ 480 milhões. É normal ter subvenção em metrô, acontece no mundo inteiro, é uma operação mais cara, mas não nesse patamar. A gente está buscando o reequilíbrio de vários componentes para minimizar essa subvenção. Do jeito que está hoje e com o contingenciamento definida pelo Ministério da Economia, hoje a nossa operação no segundo semestre é incerta”, lamenta o diretor. Os maiores custos de manutenção do sistema é em energia elétrica, com R$ 24 milhões, e com segurança, R$ 18 milhões. Ao todo, 400 mil usuários utilizam o sistema por dia, em 550 viagens que passam pelas 37 estações.

Por meio de nota, o Grande Recife informou que o repasse tarifário dos valores do VEM para a CBTU é de responsabilidade da Urbana-PE que quitou os pagamentos referentes ao ano de 2016. O valor do repasse referente ao ano de 2019 já foi realizado até o mês de março, pelo Grande Recife à CBTU. O Consórcio reconhece a dívida no valor atualizado de R$ 90.681.488,04. Até o fechamento desta edição a Urbana-PE não retornou o contato da reportagem.

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