Ministro diz que Brasil terá pico de casos da Covid-19 até junho

Henrique Mandetta alertou para a necessidade de cumprir as orientações para evitar gargalo nos hospitais

Luiz Henrique Mandetta, ministro da SaúdeLuiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde - Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou nesta terça-feira (17) que o Brasil deve enfrentar o pico do novo coronavírus entre 60 e 90 dias. A estimativa é que os números de casos sejam elevados entre os meses de abril e junho e passem a atingir a estabilidade a partir de julho.

"Nós estamos imaginando que vamos trabalhar com números ascendentes, espirais em abril, maio, junho. Nós vamos passar aí 60 a 90 dias de muito estresse para que quando chegarmos ao fim de junho, julho, a gente imagina que entra no platô. Agosto, setembro a gente deve estar voltando desde que a gente construa a chamada imunidade de mais de 50% das pessoas", disse Mandetta em entrevista coletiva.

O ministro afirmou ainda que as medidas restritivas no país poderão ser elevadas neste período, mas não deu detalhes de quais. O primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil foi confirmado no dia 26 de fevereiro. Ele informou ainda que o Ministério da Saúde está acompanhando a dispersão do vírus e o impacto no território nacional junto de outros ministérios. E lembrou ainda que o governo federal criou um gabinete de crise para tratar do caso.

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"Como fazer isso, dentro de todas as questões que envolvem questões de bloqueios, quarentenas, limitação de ir e vir. Isso é uma discussão que a gente tem no Ministério da Saúde e por sugestão junto com os demais ministros, um conselho de crise porque são medidas que quando adotadas afetam a agricultura, segurança, logística nacional, uma série de outros ministérios que têm que fazer parte dessas ações.” Mandetta disse que o governo estima que de 80% a 85% dos casos do novo coronavírus no Brasil vão requerer apenas cuidados básicos, e que nos outros 15% haverá necessidade de internação. "Nós imaginamos que nós possamos ter mais de 80%, 85% de pessoas que não vão necessitar de absolutamente nada a não ser orientação e talvez um antitérmico de uso pessoal, tipo dipirona, paracetamol. Isso deve ser a grande maioria dos pacientes.”

Ele ponderou que, contudo, se houver uma taxa de 15% da população de uma cidade com necessidade de internação, isso ultrapassa a normalidade. "Como a gente já colocou várias vezes é que nós vamos ter 15% de pessoas que vão necessitar de internação hospitalar. É um número grande para qualquer cidade do mundo quando você fala em 15% das pessoas, as cidades nas rotinas delas nunca têm 15% de seus cidadãos internados. Elas têm um número médio, nunca tem mais de 2%, 2,4% para 100 mil leitos para CTI, porque esse é o dimensionado e nesse momento nós vamos ter uma sobrecarga. Desses pacientes dos 15% que vão para a internação hospitalar, de 4% a 5% precisam de leito de CTI", disse.

Mandetta disse que o governo brasileiro ainda avalia qual será o impacto da dispersão do novo coronavírus no Brasil. E que ainda não é possível saber se a situação local vai ser semelhante a de outros países já afetados como China, EUA e os países europeus. "Torcemos ainda para que o comportamento desse vírus possa ser mais brando, porém não temos bola de cristal", disse, lembrando que a crise do zika vírus teve comportamento distinto no Brasil e em outras regiões do mundo.

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