Ministro do Meio Ambiente se reúne pela primeira vez com ambientalistas na COP-25

Uma tentativa inédita de diálogo entre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e as ONGs ambientalistas brasileiras aconteceu na manhã desta segunda-feira (9) em Madri

Ricardo Salles, ministro do Meio AmbienteRicardo Salles, ministro do Meio Ambiente - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma tentativa inédita de diálogo entre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e as ONGs ambientalistas brasileiras aconteceu na manhã desta segunda-feira (9) em Madri, durante a COP-25, conferência de clima da ONU.

Uma aglomeração de brasileiros se formou no pavilhão da conferência para conferir, em pé, o andamento da conversa, que contou com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e outros seis parlamentares -os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Eliziane Gama (Cidadania-MA); e ainda os deputados federais Joênia Wapichana (Rede-RR), Nilto Tatto (PT-SP) e Rodrigo Agostinho (PSB-SP).

"Como bem colocado aqui, temos que achar os pontos de convergência", disse Salles. No entanto, o esforço de diálogo com o governo federal durou poucos minutos. O ministro foi o terceiro a se pronunciar -logo após o discurso de abertura de Karina Penha, da ONG Engajamundo, e a fala do coordenador do Projeto Saúde e Alegria, Caetano Scannavino. Salles se retirou do evento logo após seu discurso.

"Quando escuto esse relato da baixa produtividade [da pecuária na Amazônia], é uma visão absolutamente correta. O aumento do uso intensivo daquilo que já foi aberto [em áreas] é um dos padrões que desencoraja o aumento da expansão de novas áreas", continuou.

O ministro também lembrou que a Amazônia tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. "[Conservar a floresta] sem cuidar das pessoas é difícil. O trabalho de vocês demonstra isso", disse Salles, apontando para o coordenador do Projeto Saúde e Alegria.

"É preciso monetizar os serviços ambientais. Precisam de recursos para serem valorizados. A nossa vinda à COP neste ano tem tudo a ver com isso", emendou o ministro. O encontro também contou com a presença de duas ex-ministras do Meio Ambiente, Marina Silva e Izabella Teixeira, que se pronunciaram após a saída de Salles.

"Aqui não é lugar de barganha, é lugar de construção", disse Izabella. Em 2015, à frente do Ministério do Meio Ambiente, ela entregou na COP de Paris as metas do Brasil para redução de emissões de gases-estufa.

"Não conheço a implementação do Código Florestal. O compromisso que foi feito no Congresso não está sendo cumprido. Não conheço mais a credibilidade do Brasil no exterior para oferecer um compromisso com políticas públicas", ela completou. Já a ex-ministra Marina Silva pediu que Davi Alcolumbre reitere seu compromisso, declarado à Folha de S.Paulo no último sábado, de não permitir retrocessos ambientais na legislação.

Leia também:
Chile defende importância dos oceanos na COP25
Após se reunir com infratores ambientais, Salles suspende fiscalização na reserva Chico Mendes
Queimadas da Amazônia podem aumentar derretimento das geleiras dos Andes

"Assim como disse o presidente Rodrigo Maia, que não vai tramitar projeto de mineração em terra indígena, é preciso dar força para o projeto do Randolfe que institucionaliza um plano de prevenção e controle do desmatamento como política pública", pontuou Marina.

"O parlamento brasileiro assumiu um compromisso com o mundo. Votou um acordo", disse Alcolumbre, em referência ao Acordo de Paris. "Enquanto presidente do Senado, eu cumprirei a palavra do Congresso brasileiro". "Não arredaremos o pé dos compromissos assumidos com o Brasil e com o mundo, mas precisamos entender as necessidades das pessoas que vivem na Amazônia. Esse é um momento de conciliação", ponderou.

"Pela primeira vez o governo aceitou autorizar estados, municípios e setor privado a acessar recursos do Redd [Redução de Emissões de Degradação e Desmatamento]", disse Alcolumbre. Ele também lembrou que os recursos do pré-sal, embora o combustível emita gases-estufa, têm representado uma melhoria da distribuição de recursos para os municípios.

Questionado sobre a possibilidade da MP da regularização fundiária -que pode ser apresentada na terça (10) pelo governo- incentivar a grilagem de terras, Alcolumbre defendeu a autodeclaração dos proprietários e disse que a punição é a forma de inibir o crime de grilagem.

"Vou pedir para minha consultoria estudar. Eu acho que um instrumento de penalização vai inibir a falsificação de documentos", respondeu.

Veja também

Com nova onda de Covid-19, Israel avalia suspender aulas presenciais após abre e fecha
Coronavírus

Com nova onda de Covid-19, Israel avalia suspender aulas presenciais após abre e fecha

Governo de Pernambuco inaugura novos leitos de UTI em Afogados da Ingazeira
Coronavírus

Governo de Pernambuco inaugura novos leitos de UTI em Afogados da Ingazeira