Mulher de 54 anos mata a filha cadeirante em Paratibe, Paulista

Marly Rodrigues da Silva está sob custódia, internada após ingestão de chumbinho e medicamentos

Marly e Elionai moravam em Paratibe, PaulistaMarly e Elionai moravam em Paratibe, Paulista - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Uma mulher de 54 anos teria matado, a facadas, a própria filha, uma cadeirante, em Paratibe, no bairro de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. A tragédia familiar aconteceu na madrugada desta sexta-feira (16). Pela manhã, a mãe, Marly Rodrigues da Silva, foi encontrada desacordada após ingerir medicamentos e chumbinho. Ela foi socorrida e levada para o Hospital Miguel Arraes, onde permanece internada sob custódia.

O corpo de Elionai Rodrigues da Silva, de 29 anos, também foi encontrado. Ele apresentava lesões de golpes de faca e estava em cima da cama. Elionai tinha deficiência física, motora e neurológica. O delegado Álvaro Muniz, titular da Delegacia de Maria Farinha, acredita que a mãe havia se envolvido em um quadro depressivo, sem tratamento. "O fato que culminou com a morte de Elionai foi decorrente de um problema familiar. Ela acompanhava a filha desde o nascimento e também cuidava de uma neta menor de 5 anos de idade [do filho mais velho] ", afirmou o investigador.

De acordo com o delegado, foi encontrada uma carta de despedida. No texto, a mãe se despede dos parentes e diz estar envolvida em muitos problemas. "A conduta de Marly em relação à filha vai ser apurada, e a motivação do crime vai ser vista ao longo do inquérito. A gente vai avaliar o caso junto à equipe médica", disse o delegado.

O intestigador disse que o companheiro de Marly encontrou o corpo da enteada. "Ele é padrasto de Elionai e trabalhava fora durante a madrugada. Quando chegou em casa, por volta das 5h30, bateu na porta. Como não houve resposta, pulou a janela e entrou, se deparando com a cena", comentou o delegado. "Imediatamente ele avisou aos pais de Marly", completou.

Amiga da família há muitos anos, a camareira Iris Alice disse que está até agora sem acreditar no que houve. "Ela cuidava muito bem. A vida dela era dedicada a essa menina. Cuidava de duas casas, a vida dela era muito corrida. Eu acredito que ela tenha tido um surto. Ela amava a filha e ninguém aqui esperava isso. Ela nunca falou nada de cansaço", afirmou. Iris disse que Elionai era uma menina doce. "Não era agressiva. A gente chegava, ela tratava a gente com carinho, falava com todo mundo que passava na rua. Tomava remédio controlado, mas não apresentava nada de surto, nada disso".

Luciana Moura, prima de Marly, disse que a mulher cuidava da filha sozinha e que o pai, que pagava apenas pensão, era ausente. "A gente acredita que Marly teve um surto por conta da depressão. A carga emocional estava pesada e ela não costumava dividir isso com ninguém. A depressão vem calada", comentou Luciana, que disse que o pai de Elionai nunca aceitou a filha. "Ele só pagava pensão estabelecida em juíza", disparou.

Remédios e chumbinho
O Hospital Miguel Arraes informou que Marly foi admitida às 7h30, inconsciente, e está sob custódia. Ela ingeriu muitos comprimidos e chumbinho (veneno para rato). Às 13h12, a assessoria de imprensa da unidade de saúde informou que ela apresentou piora no quadro respiratório e foi entubada. Na sequência, ela foi internada na UTI, onde permanece passando por um processo de desintoxicação. Às 17h, o estado de saúde de Marly era estável: ela ainda está desorientada, mas não corre mais risco de morrer.


Veja também

Obra de Francisco Brennand entra em leilão solidário
Arte por Solidariedade

Obra de Francisco Brennand entra em leilão solidário

Conheça a história da estudante baiana que foi aprovada em seis universidades estrangeiras
educa mais brasil

Conheça a história da estudante baiana que foi aprovada em seis universidades estrangeiras