"Mysheva está muito abalada e tem medo de morrer", diz advogado

Julgamento atrasou e tem início às 11h desta quinta-feira (27)

Grupo contra Lula realiza ato na Praça do Derby, na área central do RecifeGrupo contra Lula realiza ato na Praça do Derby, na área central do Recife - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A noiva do promotor Thiago Faria Soares, Mysheva Martins, está "muito abalada", segundo seu advogado. Apesar disso, Mysheva comparece ao último dia do júri popular, que começou na segunda-feira (24) e deve terminar na madrugada desta sexta-feira (28).

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"Desde o crime, Mysheva tem tido acompanhamento psiquiátrico. Ela saiu daqui no primeiro dia exausta e ficou reclusa em casa, descansando, para comparecer no último dia", afirmou o advogado José Augusto Branco. Ainda segundo o defensor, a noiva do promotor, assassinado em 2013, tem medo de morrer. "É de conhecimento público que José Maria hoje se encontra em cela especial, apesar de não ter curso superior e ter matado um promotor de Justiça, e tem utilizado telefone celular de dentro do presídio. É evidente que ela tem medo de morrer."

O pai de Mysheva (camisa cor de vinho) também compareceu ao tribunal nesta quinta, junto com outros parentes, incluindo o tio dela, Adautivo Elias Martins (de camisa xadrez), que também estava no carro quando o promotor foi morto.

Sobre as acusações de José Maria Pedro Rosendo Barbosa - acusado de ser o mandante do crime e que disse que Mysheva teria razões para ter cometido o crime e que ela teria até mesmo traído o promotor - o advogado dela rebateu os argumentos do acusado. "José Maria é um bandido inteligente. Ele vem armando isso desde a sua fuga e sabe que o julgamento é feito por um júri popular. Desde o começo ele tenta jogar a opinião pública contra Mysheva, porque ele sabe que quem vai julgá-lo é uma pessoa normal. Isso é uma forma marginal de tentar convencer os jurados", disse Augusto Branco.

São acusados José Maria Pedro Rosendo Barbosa e Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva, conhecido como Passarinho. Um dos acusados, Antônio Cavalcante Filho, irmão de José Maria Cavalcante, está foragido da Justiça Federal. Também réu, José Maria Domingos Cavalcante teve o julgamento adiado - está preso no Cotel - e agora ele será julgado agora no dia 12 de dezembro.

Acusação e defesa

No último dia de julgamento do caso do promotor assassinado Thiago Faria Soares, a expectativa da acusação é que todos os réus sejam condenados após o dia de debates no tribunal do júri. "Hoje é um dia só de debates, com abertura com os argumentos e teses da acusação, que estão fundamentados em toda a investigação da Polícia Federal e Civil", aponta o advogado assistente de acusação André Canuto.

Já a defesa dos réus acredita em "senso de justiça" e aponta subjetividade da perícia técnica e dúvidas não esclarecidas no processo. "O que mais existe nesse processo são dúvidas que deveriam ser esclarecidas e que não ficaram claras", afirmou o advogado Anderson Flexa.

Entenda o caso

O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2013 no interior de Pernambuco. Thiago Faria Soares estava com a noiva, a advogada Mysheva Martins, e do tio dela Adautivo Martins. Eles seguiam pela rodovia PE-300 a caminho de Itaíba, no Agreste, quando foram abordados por homens armados.

Os tiros atingiram Thiago, que morreu no local. O veículo deles parou. O carro dos assassinos contornou a via e, segundo as investigações, retornou para tentar assassinar tio e sobrinha, que escaparam com vida após se jogarem para fora do veículo, na estrada. A arma do crime nunca foi encontrada.

A motivação do crime teria sido a compra de 25 hectares de uma fazenda em Águas Belas. O imóvel, que possuía uma extensão total de 1.800 hectares, foi adquirido por Mysheva em um leilão - com isso, parentes de José Pedro teriam sido obrigado a deixar o local.

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