[Opinião] Manifesto aos pernambucanos

O presidente da Academia Pernambucana de Medicina, Dr. Hildo Azevedo, fala sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus no estado

Dr. Hildo Rocha Cirne de Azevedo Filho, presidente da Academia Pernambucana de MedicinaDr. Hildo Rocha Cirne de Azevedo Filho, presidente da Academia Pernambucana de Medicina - Foto: Giovanni Costa/Alepe

O cenário da Saúde Pública Brasileira é extremamente grave. A pandemia pelo SARS-COV-2 está tomando dimensões alarmantes em vários estados do Brasil, inclusive em Pernambuco. A análise dos casos de COVID-19 demonstra que, desde meados de abril, a propagação do novo coronavirus se intensificou preocupantemente em nosso estado, com elevada concentração de casos confirmados na Região Metropolitana do Recife e consequente interiorização da pandemia. 

Até o dia 21 de maio, conta-se em Pernambuco 23.911 casos confirmados e 1.925 óbitos causados pelo COVID-19. Especificamente na área da assistência à saúde, de um total de 7.983 profissionais examinados, 4.371 (55%) testaram positivo para o COVID-19 (com 27 óbitos) e 287 (3,6%) estão em investigação. Entre os casos confirmados, 2.710 são de profissionais de saúde que têm vínculo com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, sendo que 420 (15,5%) são médicos.  

Esses números indicam que a pandemia ocasionada pelo COVID-19 está fora de controle e, na medida em que respeitadas e confiáveis projeções sugerem, prenuncia-se que o nosso sistema de saúde se aproxima celeremente do caos nos seus vários aspectos, e o que é pior projetando um cenário de mortalidade que pode ultrapassar dezenas de milhares de óbitos.

Portanto, torna-se mandatória essa nossa manifestação pública, conclamando autoridades, instituições, entidades e população para que sejam estabelecidas medidas imediatas ainda mais duras de distanciamento social, no momento o mecanismo reconhecidamente mais eficiente para a redução dos danos e empregado pela maior parte dos países dotados de sistemas de saúde responsáveis e eficientes. Temos o entendimento que tais condutas acarretarão ainda mais sofrimento para todos, todavia as mesmas só  poderão ser efetivas se contarmos com a união de toda a Sociedade Civil, dos Governos Municipais, Estaduais  e das autoridades  federais constituintes dos Poderes  Legislativo, Judiciário e especialmente do Poder Executivo a quem  compete  a   liderança do processo, sendo dever de todos o total comprometimento com os graves desafios humanitário, sanitário, científico e estratégico que o momento e história nos apresentam.  

A unidade da Nação e a ação sanitária imediata devem, nesse instante, caracterizar-se como uma imperativa atitude cívica e patriótica. Paralelamente, demanda-se uma atenção redobrada para com os mais vulneráveis, vítimas maiores desta pandemia, como também com o uso de tratamentos recomendados pela comunidade científica e que tenham sido aprovados pelo Conselho Federal de Medicina.

Finalmente, dentro dessa tragédia, urge e rogamos que todos nós lutemos para permanecermos unidos, superando divisões e suplantando polarizações, sem deixar de observar os princípios fundamentais que orientam a assistência à saúde, e que nos concentremos na defesa intransigente da ética, da dignidade do ser humano, e em última análise na preservação da vida razão de ser do nosso juramento médico. 

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